Matéria

Reforma íntima

Você se conhece? Sabe seus defeitos? E as suas capacidades?

Muitas vezes não.

Mas sabemos bem o que queremos e o que gostaríamos para nossa vida. Por isso os problemas nos incomodam tanto. Queremos nos livrar deles de alguma forma. E muitas vezes buscamos que alguém nos dê a solução e que resolva nossos males. Ou, ainda, buscamos um culpado.

A boa notícia é que temos uma forma de alcançar mais alegria e paz. A má notícia é que para isso devemos nos modificar, daí a importância da tão falada reforma íntima nos centros espíritas.

Qual nossa missão de vida?

Aprender e evoluir. Cada encarnação nos ensina e nos tornarmos melhores em busca da perfeição.

Após muitos aprendizados em diversas vidas, temos nossa consciência do que é certo ou errado, mas ainda muitas falhas morais nos atrapalham. Além de tantas provas às quais estamos expostos para expiarmos erros passados.

Por isso a vida é sempre atribulada, todos têm problemas e dificuldades. Mas devemos passar por tudo encarando da melhor forma, sem nos torturarmos.

Nada muda ao nosso redor se nós não nos modificarmos.

A forma como encaramos as situações da vida fazem dela ser boa ou uma tortura. A positividade nos dá esperança e o ânimo, e nos aproxima dos bons espíritos a nos ajudar a passar pelas provações.

Ajuda-te que o céu te ajudará, está no Evangelho.

Mas muitos chegam às casas espíritas esperando ter a solução de seus problemas. Acreditam, que como num milagre, os passes, a água fluidificada, vão sanar seus males. Claro que a fé dá um empurrão, e o tratamento espiritual ajuda muito. Mas quando descobrem que se não houver uma mudança interior não bastará frequentar a casa, grande parte desiste, e permanece a vida toda queixando-se e buscando em vão, dando tiros para todos os lados, algo ou alguém que lhe resolva os problemas.

As casas sérias nunca irão iludir ninguém, fornecendo soluções mirabolantes. Mas dão todas as diretrizes ensinadas por Jesus e apresentadas nos livros de Kardec.

É importante estudarmos, conhecer os ensinos cristãos, que guiarão nosso autojulgamento. Uma religião nos dá bases para sermos melhores.

Temos a faca e queijo na mão.

Fácil não é nos modificarmos, claro que não, nunca foi. Assim, é importante nos conhecermos, com humildade, para saber como podemos melhorar pouco a pouco. Sabendo que milagres também não teremos, a vida é sempre atribulada, cada um tem suas provas e expiações, tal nosso estágio evolutivo. Mas podemos enfrentar de uma melhor forma.

Como melhorar nesta vida?

 “Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal? ‘Um sábio da antiguidade disse: Conhece-te a ti mesmo’.”

Pergunta 919 do Livro dos Espíritos de Allan Kardec.

Sócrates foi esse sábio, um grande espírito enviado por Jesus para começar a difundir os conceitos de fazer o bem e a caridade.

“Qual meio de conhecer-se a si mesmo?”, indaga Kardec, ao que Santo Agostinho ensina (ele é quem dita a lição):

“Fazei o que eu fazia quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava mentalmente o que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. […] O conhecimento de si mesmo é a chave do progresso individual”.

Isso não é nem um pouco fácil, porque temos que abrir a ferida e nos desiludir do amor-próprio que acaba por atenuar as faltas e criar desculpas aos atos: “o avarento se considera apenas econômico e previdente; o orgulhoso julga que em si só há dignidade”.


Santo Agostinho aconselha: “quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não a podereis ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de sua justiça”.

Se nos imaginarmos perante Deus, teríamos vergonha de alguma atitude?

“Muitas faltas que cometemos nos passam despercebidas. Se, efetivamente, seguindo o conselho de Santo Agostinho, interrogássemos mais frequentemente a nossa consciência, veríamos quantas vezes falimos sem que o suspeitemos, unicamente por não perscrutarmos a natureza e o móvel dos nossos atos.”

Santo Agostinho, quando encarnado, ensinou e pregou muito o amor e a caridade. Nasceu 354 da era cristã. Interessante notar que embora fora retratado em muitas pinturas com muita pompa e luxo, viveu de forma humilde, e mesmo como bispo se recusava a usar o anel e a mitra. Aparece em várias passagens dos livros da codificação do espiritismo compilados por Allan Kardec.

Vale lembrar que a disposição para que a gente se conheça surge de duas formas: pelo amor ou pela dor, que são:

  • naturalmente como resultado do amadurecimento espiritual de cada um.
  • provocada pela ação do sofrimento, que sensibiliza e desperta para novos valores. Como no caso de tantos que enfrentam doenças terminais e relatam ter modificado sua forma de pensar e agir depois disso.

Como praticamos a reforma íntima?

A reforma íntima é um processo contínuo de autoconhecimento. Pois assim, a partir do momento que admitidos nossos defeitos, conseguimos nos reprovar e alterar nossos atos falhos.

A oração é muito importante para os bons espíritos nos guiarem e ajudarem a seguir o caminho do bem, inspirando nossas atitudes.

E o que modificar?

São muitas as possibilidades. O pouco que consigamos nos modificar, já representa muito em nosso amadurecimento espiritual. Modificar defeitos, transformando-os, como:

  • ORGULHO pela HUMILDADE
  • VAIDADE pela MODÉSTIA
  • INVEJA pela RESIGNAÇÃO
  • CIÚME pela SENSATEZ
  • AVAREZA pela GENEROSIDADE
  • ÓDIO pela DOÇURA
  • VINGANÇA pelo PERDÃO
  • IMPACIÊNCIA pela TOLERÂNCIA
  • OCIOSIDADE pela DEDICAÇÃO
  • Deixar vícios (como drogas, alcoolismo)
  • Saber perdoar
  • Doar o tempo e atenção as outro.

Segundo Chico Xavier:

  1. Executar alegremente as próprias obrigações.
    2. Silenciar diante da ofensa.
    3. Esquecer o favor prestado.
    4. Exonerar os amigos de qualquer gentileza para conosco.
    5. Emudecer a nossa agressividade.
    6. Não condenar as opiniões que divergem da nossa.
    7. Abolir qualquer pergunta maliciosa ou desnecessária.
    8. Repetir informações e ensinamentos sem qualquer azedume.
    9. Treinar a paciência constante.
    10. Ouvir fraternalmente as mágoas dos companheiros sem biografar nossas dores.
    11. Buscar sem afetação o meio de ser mais útil.
    12. Desculpar sem desculpar-se.
    13. Não dizer mal de ninguém.
    14. Buscar a melhor parte das pessoas que nos comungam a experiência.
    15. Alegrar-se com a alegria dos outros.
    16. Não aborrecer quem trabalha.
    17. Ajudar espontaneamente.
    18. Respeitar o serviço alheio.
    19. Reduzir os problemas particulares.
    20. Ter uma boa mente quando a enfermidade nos ferir.

Um espírita no Umbral

Uma história bem conhecida é a de um espírita palestrante que após o desencarne de viu no Umbral.

Chocado com seu destino, imaginou que haveria algum erro, pois participava de projetos sociais de doação de alimentos aos necessitados, aplicava passes a muitas pessoas frequentadoras do centro, ajudava financeiramente instituições de caridade, além de dar palestras no centro.

Ao que teve de resposta de um dos espíritos ali ao lado que não havia nada de errado, pois era espírita sim, porém, intimamente julgava outros de inferiores, sentia-se importante praticando a caridade, considerava que seu passe era mais forte e mais curador do que o passe de outros, ajudava financeiramente instituições esperando receber algo em troca, dava palestras acreditando ter mais conhecimento e se colocava numa posição de destaque e vaidade intelectual.

Tudo isso, resume duas das maiores chagas da humanidade: o orgulho e a vaidade.

Como diz a máxima “A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido” (Lucas 12:48).

Por Raquel Pereira

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