Locais Assombrados: o espiritismo explica

A questão dos locais assombrados, ou mal-assombrados, é tão antiga que se perde no tempo. Ao longo da história, inúmeros relatos sobre ocorrências e aparições dos chamados “fantasmas” ganharam as páginas dos jornais, dos livros e foram para as telas do cinema em filmes como A Casa Amaldiçoada (1999) e Os Outros (2001).

A falta de conhecimento sobre a imortalidade da alma e as mais variadas formas de interação entre os espíritos e o mundo material é o principal fio condutor que sustenta há tempos a ideia da existência desses locais.

Locais “assombrados” em São Paulo

O Teatro Municipal é tido por muitos como um local assombrado pois comenta-se que alguns espíritos de vários artistas que lá se apresentaram durante décadas insistem em permanecer no local. Funcionários que trabalham no famoso Teatro relatam terem visto movimentos nos camarins, no palco e ouvia-se o dedilhar do piano em momentos que não havia ninguém no prédio. Construído em 1911, seu estilo arquitetônico é semelhante aos mais famosos teatros do mundo. Seu famoso palco já recebeu artistas como Maria Callas, Enrico Caruso, Isadora Duncan e outros.

O cemitério da Consolação é outro local considerado como mal-assombrado. Construído em 1858, a arquitetura de seus túmulos e o fato de abrigar restos mortais de figuras ilustres, tornaram-no uma atração turística, onde é possível realizar visitas acompanhadas por um guia. Até aí nada de mais, a não ser pelos relatos de pessoas que juram ter visto algumas personalidades lá sepultadas passeando pelas alamedas, como: Tarsila do Amaral e Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, amante de D. Pedro I.

De triste lembrança, o então Edifício Joelma em 1974 foi palco de uma das maiores tragédias da história da cidade de São Paulo quando na tarde de 1º de fevereiro daquele ano violento incêndio ocorreu no prédio causando a morte de 187 pessoas e deixando mais de 300 feridos. O prédio passou por reformas durante 4 anos, e conta-se que era comum entre os trabalhadores a visão de vultos caminhando pelos andares do prédio, portas batendo e era possível ouvir o som de misteriosas vozes.

O que o espiritismo explica sobre lugares mal-assombrados

Consultando O Livro dos Médiuns item 132 parágrafo 21, encontramos a seguinte explicação: “(…) eles [os espíritos] só parecem assombrar certas habitações porque encontram nelas a oportunidade de manifestar a sua presença”.

No caso do Teatro Municipal, é possível que os fatos narrados sejam verídicos pois o pensamento pode fazer com que os espíritos de artistas que por lá passaram, saudosos de suas apresentações e sem saber que já desencarnaram, podem continuar ali e sentir como se ainda estivessem encarnados. Esse desconhecimento dos espíritos sobre a sua condição pode aplicar-se perfeitamente nos casos das entidades vistas no Cemitério da Consolação e no Edifício Joelma.

Contudo, Deus, que é soberanamente justo e bom, sempre dá a todos o socorro necessário e a oportunidade do esclarecimento. Felizmente as situações aflitivas não duram para sempre.

A Revista Espírita de fevereiro de 1860 traz uma interessante matéria chamada de “A história de um Danado”, que conta sobre uma pequena casa na região de Castelnadaury, na França, que era considerada assombrada pois ocorriam estranhos ruídos e assustadores fenômenos. A mesma foi alugada por um homem chamado Sr. Dreyfys, que não se importava com os barulhos. Tempos depois esse senhor veio a falecer. Certa feita, seu filho, ao adentrar a um dos cômodos da casa, levou uma enorme bofetada, que simplesmente veio do nada. Ninguém foi visto e muito menos o movimento de alguma mão para atingi-lo foi notado. Apavorado, o agredido resolveu deixar a habitação. Nos arredores, corria a lenda de que um terrível assassinato acontecera na casa anos antes. O esclarecimento veio tempos depois, em sessões mediúnicas realizadas na Sociedade Espírita de Paris, quando na ocasião apresentou-se o espírito de Charles Dupont, uma entidade tão sofredora que sua condição era digna de pena. Apresentava-se com uma camisa coberta de sangue e segurava um punhal. Ele afirmou que havia desferido a bofetada no filho do proprietário e confessou que em 6 de maio de 1608 assassinara o próprio irmão, apunhalando-o, por desconfiar que este havia se interessado por uma jovem de quem ele gostava. Essa cena atormentava demais o espírito e o prendia àquela casa, pois todas as vezes que dali queria sair, só via escuridão ao seu redor. A sua consciência criou para ele essa condição e ele julgava-se eternamente ligado a essa tortura. Devidamente esclarecido, a entidade seguiu o seu caminho abandonando a casa.

A explicação para os tormentos desse espírito vamos encontrar no Livro dos Médiuns item 132, parágrafo 9, “(…) a permanência em determinado lugar pode ser também para alguns [espíritos] uma espécie de punição, sobretudo se ali cometeram algum delito e assim terão constantemente esse crime diante dos olhos”.

Certos espíritos podem apegar-se às coisas terrenas e isso depende sempre da condição evolutiva de cada um. Os avarentos, relutam em desprender-se das coisas da matéria, comumente ficam ao lado das coisas que eram seus bens: dinheiro, casas, carros, pessoas. Agarrados a eles, às vezes podem ser vistos no lugar onde viveram pois o apego os impede de progredir, fazendo com que se prendam a coisas que não mais lhes pertencem e consequentemente não deveriam mais ser objeto de sua atenção.

Muitos espíritos que assombram certos locais são levianos e o fazem para divertir-se às custas da credulidade e covardia das pessoas. Alguns outros, porém, manifestam-se pois o fazem para pedir ajuda, como o fez o espírito de Charles Rosna no famoso evento que ficou conhecido como o “Caso das irmãs Fox”.

Para encerrar o tema, reproduzimos as palavras de Allan Kardec na edição da Revista Espírita de 1869: “lugares assombrados existem sim, não se trata de crendices, é um fato comprovado, barulhos e perturbações causados por espíritos são coisas conhecidas”.


Livros recomendados:

O Livro dos Espíritos, capítulo 9 de Allan Kardec

Kardec, Irmãs Fox e Outros de Jorge Rizzini

As Casas Mal-Assombradas de Camille Flammarion

Por Gilson Pereira

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