Em busca da felicidade

O que é ser feliz?

Perguntando a diferentes pessoas, muitas respostas serão obtidas. Para cada um, felicidade tem um significado.

Muitas vezes é ligada a bens materiais. Busca-se independência financeira, concretizar o sonho de uma viagem ou do emprego dos sonhos. Há quem diga que é saúde e estar rodeado de pessoas que amamos, também encontrar um grande amor.

Quando inicia-se um novo ano, é renovada a esperança de uma vida melhor.

Ligada a ela, cada um com sua lista de desejos e promessas pro ano novo. Para de fumar, começar uma atividade física, emagrecer, trocar de carro ou de trabalho. Ter um ano mais feliz.

Os dias vão passando, e mergulhados em nossas atividades diárias chega o último bimestre e começa a torcida pro ano acabar, muitos dizendo que o ano não foi bom, e que não veem a hora do próximo começar, para como num círculo vicioso as mesmas promessas serem feitas.

“Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim!, exclama geralmente o homem em todas as posições sociais”.

A Felicidade não é deste mundo, do Evangelho segundo o Espiritismo.

O que acontece, então?

É que geralmente busca-se no exterior a felicidade, em coisas materiais ou nos outros. Busca-se felicidade através de objetivos errados, gerando, então, a frustração.

“Nem a riqueza, nem o poder, nem mesmo a juventude são condições essenciais à felicidade. Nem mesmo reunidas essas três condições tão desejadas por tantas pessoas. Muitos que não teriam do que queixar-se, sempre acham um motivo.”

 

O Homem Feliz

Narra antiga lenda, que certa vez um rei adoeceu gravemente. À medida que o tempo passava, seu estado de saúde só piorava. Os médicos tentaram de tudo, e nada parecia funcionar. Até que a criada falou:
– Eu sei uma forma de salvar o rei. Se vocês puderem encontrar um homem feliz, tirar-lhe a camisa e vesti-la no rei, ele se recuperará.
Ao ouvir tal afirmativa, o rei enviou seus mensageiros a todos os cantos do reino à procura de um homem feliz. Eles cavalgaram por todos os lugares e não encontraram nenhum. Ninguém estava satisfeito; todos tinham sempre uma queixa a fazer. “Aquele alfaiate estúpido fez as calças muito curtas!, ouviram um homem rico dizer”; “A comida está péssima, este cozinheiro não consegue fazer nada direito!”, outro reclamava; “O que há de errado com os nossos filhos?”, resmungava um pai insatisfeito; “O teto está vazando!”; “A situação financeira está péssima”… Essas e outras tantas queixas eram o que os mensageiros do rei ouviram por onde passaram.

Se um homem era rico, não tinha o bastante; se não era rico, era culpa de alguém. Se era saudável, havia uma sogra indesejável em sua vida. Se tinha uma boa sogra, a gripe o estava infelicitando. Enfim, naquele reino todos tinham algo do que reclamar.
O rei já tinha perdido a esperança de ficar bom, quando numa noite, seu filho cavalgava pelos campos e, ao passar perto de uma cabana ouviu alguém dizer:
– Obrigado, Senhor! Concluí meu trabalho diário e ajudei meu semelhante. Comi meu alimento, e agora posso deitar-me e dormir em paz. O que mais poderia desejar, Senhor?
O príncipe exultou de felicidade por ter, finalmente, encontrado um homem feliz. Mandou os mensageiros irem lá pra levar a camisa do homem ao rei e lhe pagassem o quanto pedisse.
Mas quando entraram na cabana, descobriram que ele era tão pobre que sequer possuía uma camisa.

Já parou para pensar que a verdadeira felicidade está em nós mesmos? Em como encaramos a vida.

 

A felicidade não é deste mundo

François-Nicolas-Madeleine dita-nos esta lição no Evangelho segundo o Espiritismo (cap. 5, item 20) que a felicidade não é deste mundo.

Num planeta de tantas provas, sempre encontraremos no caminho alguma adversidade. Por pior que possam nos parecer, são fundamentais ao nosso aprendizado.

“Por mais que se faça, cada um tem a sua parte de labor e de miséria, sua cota de sofrimentos e de decepções, donde facilmente se chega à conclusão de que a Terra é lugar de provas e de expiações.”

A felicidade plena é utópica, e fica destinada à nossa vida futura, para quando nos despojarmos de nossos vícios morais. Pois vale lembrar que a própria pessoa sempre é responsável por sua situação atual, incluindo sua infelicidade.

“Já nesta vida somos punidos pelas infrações, que cometemos, das leis que regem a existência corpórea, sofrendo os males consequentes dessas mesmas infrações e dos nossos próprios excessos. Se, gradativamente, remontarmos à origem do que chamamos as nossas desgraças terrenas, veremos que, na maioria dos casos, elas são a consequência de um primeiro afastamento nosso do caminho reto. Desviando-nos deste, enveredamos por outro, mau, e, de consequência em consequência, caímos na desgraça.”

Livro dos Espíritos > Parte quarta – Das esperanças e consolações > Capítulo I – Das penas e gozos terrestres > Felicidade e infelicidade relativas

 

Mas com esse texto, sobre a felicidade não ser deste mundo, François não busca nos desanimar na busca pela felicidade ou que desistamos de nossas conquistas, mas que nos resignemos diante das adversidades e busquemos nos melhorar, sempre enxergando o lado positivo. Os altos e baixos na vida são naturais em nosso estágio evolutivo, o que cabe a nós é mantermos o equilíbrio diante das situações.

Além disso, que passemos a não depositar nossa felicidade em bens materiais, nas ilusões que as posses oferecem, ou em outras pessoas, em situações que não conseguimos controlar. Esse tipo de coisa é muito supérflua.

Muitos passam a vida batalhando por conquistas financeiras, importantes ao sustento, claro, mas esquecendo-se da família. Daí é que se fala que o dinheiro não traz felicidade, essa riqueza toda acumulada não suprirá a sua paz interior.

Outros tantos depositam num relacionamento ou numa amizade a solução de uma vida infeliz, porém, transferir ao outro a própria alegria só demonstra uma grande insatisfação consigo mesmo.

 

A felicidade está em nós mesmos

A felicidade possível em nosso planeta é “com relação à vida material, a posse do necessário. Com relação à vida moral, a consciência tranquila e a fé no futuro.”

Livro dos Espíritos > Parte quarta – Das esperanças e consolações > Capítulo I – Das penas e gozos terrestres > Felicidade e infelicidade relativas

Correr atrás sem nos mudar não adianta muito. É difícil, mas é assim que atingimos as mudanças que buscamos no amor, no sucesso e na vida de uma forma geral.

Quer ter uma vida mais feliz? Então comece mudando você.

Mas mudar o quê?

Mudar a forma como pensamos e encaramos as situações.

  • Parar de reclamar, e no lugar agradecer.
  • Em vez de focar no problema, gaste energia buscando a solução.
  • Aceitar o que tem e sua forma de ser e agir, sem provar nada a ninguém.
  • Não espere que tudo caia no colo, lute e vá atrás de seus objetivos. Claro, sempre guiado pela razão e pela ética.
  • Sorria, valorize o simples.
  • Abrace mais, beije mais.
  • Não guarde mágoas nem rancores, cada um oferece o que pode, não espere nada além.
  • Seja otimista, veja o lado positivo
  • Ajude o próximo, faça caridade. Isso traz leveza ao coração.

 

O segredo da felicidade

“Dizia-se que havia um sábio na Índia que tinha o segredo da felicidade, e que o guardava cuidadosamente em um cofre.
O rei mandou chamá-lo e lhe ofereceu muito dinheiro pelo cofre, mas o sábio simplesmente recusou a oferta, dizendo que era algo que o dinheiro não podia comprar.
Um dia, uma criança se apresentou diante do sábio.
– Sábio, por favor, ensine-me o segredo da felicidade.
Movido pela pureza e inocência da criança, o sábio então lhe disse:
– Preste muita atenção.

A primeira coisa que você deve fazer é amar-se e respeitar-se e dizer a si mesmo todos os dias que você pode vencer todos os obstáculos que se apresentarem na sua vida. Isso se chama autoestima.

A segunda que deve fazer é pôr em prática o que você diz e o que pensa.

A terceira, é jamais invejar alguém pelo que ele tem ou é. Eles já alcançaram as suas metas, agora alcance as suas.

A quarta, é jamais guardar rancor de ninguém no seu coração.

A quinta, é não se apoderar do que não é seu.

A sexta, é jamais maltratar alguém; todos os seres têm o direito de ser respeitados e queridos.

E a última coisa que você deve fazer é acordar todos os dias com um sorriso e descobrir em todas as pessoas e em todas as coisas o seu lado positivo. Pense na sorte que você tem.

Ajude a todos sem pensar no que poderá obter em troca e passe adiante o segredo da felicidade.”

 

Felicidade: da filosofia à ciência

A história da humanidade é pautada na busca da felicidade. Há séculos o homem procura desvendar os mistérios por trás da felicidade, e inclusive, ela faz parte das primeiras considerações filosóficas.

A referência filosófica mais antiga de que se dispõe sobre o tema é um fragmento de um texto de Tales de Mileto, que viveu entre as últimas décadas do século 7 a.C. e a primeira metade do século 6 a.C. Segundo ele, é feliz “quem tem corpo são e forte, boa sorte e alma bem formada”.

Aristóteles, filósofo grego (384–322 a.C.) dizia que é ter “uma boa saúde e uma memória ruim.”

Curioso, não? Falamos às vezes que se não fosse nossa cabeça, que pensa demais, nos deixando cismados, seríamos mais felizes!

A ciência moderna nos ensina que, fisicamente falando, sem se preocupar com o que desencadeou a alegria no organismo, são quatro as substâncias químicas naturais em nosso organismo que trazem a sensação de bem-estar: endorfina, serotonina, dopamina e oxitocina.

Felicidade é um truque da mente. Milhões de anos atrás nossa natureza desenvolveu esse mecanismo como forma de preservação da espécie. Sempre ao fazer algo que aumenta nossas chances de sobreviver ou de procriar, nos sentimos bem.

Mas nós a interpretamos de outra forma, como uma busca por saciar as vontades. A cada conquista, surge em nós uma nova necessidade.

Aí que está a eterna insatisfação, porque todos os desejos aumentam na proporção daqueles que são satisfeitos. As pessoas não se contentam com o que têm, sempre querem mais.

Impulsionados pelas novas tecnologias que nos mostram como nossos amigos são felizes na vida online das mídias sociais – Facebook, Instagram… –, desperta ainda mais nossas vontades, nossa necessidade de competição, e assim, sentimos tristeza por não as alcançar. Esse estágio pode levar a um quadro de depressão. Doença do século, “o mal de uma sociedade que decidiu ser feliz a todo preço”, segundo o escritor francês Pascal Bruckner, autor do livro A Euforia Perpétua.

“Muitos de nós estão fazendo força demais para demonstrar felicidade aos outros – e sofrendo por dentro por causa disso. Felicidade está virando um peso: uma fonte terrível de ansiedade”, completa.

Exatamente por buscarmos felicidade nos locais errados.

A seguir, listamos alguns métodos para se tornar mais feliz testados em laboratório, e os que prejudicam a felicidade (matéria da Revista Superinteressante de 2017).

RECEITA DA FELICIDADE

  • viva experiências sensoriais agradáveis, como conversar, ver uma paisagem bonita, comer algo gostoso
  • dedique-se a tudo que você faz, no trabalho ou fora. Lembre-se: a diferença entre um emprego chato e um emprego legal pode ser a sua postura.
  • arrume uma atividade desafiadora, difícil, e esforce-se para se tornar cada vez melhor nela. Yoga, aeromodelismo, videogame, natação…
  • exercite-se. Esporte praticado com frequência aumenta a disposição para a vida e em geral nos deixa mais ligados no mundo e no nosso próprio corpo. E dê risada. Algumas pesquisas sugerem que dar risada é um ótimo exercício.
  • escreva ou pense nas coisas pelas quais você é grato.

Hoje fala-se muito em gratidão, pratique-a!

  • Faça atos de altruísmo ou bondade.

A prática da caridade como tantas vezes falamos no centro. Há muitas maneiras de sermos caridosos, encontre a que te dê mais satisfação.

 

RECEITA DA INFELICIDADE

  • Dinheiro: Ele só traz felicidade até o momento em que cobre as necessidades básicas. Depois disso, mais dinheiro não altera o nível de satisfação. E um foco exagerado em coisas materiais vai esvaziar sua vida de significado.
  • Casamento: condicionar a felicidade a fatores sobre os quais você não tem controle não pode dar certo. Além disso, um casamento não tem nada a ver com um estado perene de alegria. Ele tem altos e baixos como tudo na vida.
  • Futuro: é importante ter metas, mas achar que a felicidade está no futuro só adia sua realização.
  • Carro novo: às vezes o carro antigo ainda funciona muito bem, mas você se convence de que não pode viver sem o modelo maior que foi lançado este mês.
  • Beleza: caso de expectativa irreal. Em primeiro lugar, porque é impossível ter um corpo e um rosto perfeitos. Em segundo, porque nada disso é garantia de felicidade.
  • Status: priorizar símbolos de status indica uma preocupação maior com os outros do que com você mesmo.

Por Raquel Pereira


Assuntos relacionados:

Depressão: aspectos físicos e espirituais

A regeneração do planeta Terra e a nossa evolução

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s