Experiências de quase-morte

Em 1896 iniciaram-se os estudos sobre as experiências de quase-morte com o psicólogo francês Victor Egger, a partir de relatos contados por escaladores durante quedas sofridas.

São fenômenos que intrigam a ciência e a medicina, sendo objeto de estudo da psicologia e da neurociência. Até hoje não há consenso que explique as causas e os significados.

Caracteriza-se por visões e sensações narradas por pessoas que passaram pela condição de morte iminente ou de coma.

As situações mais relatadas são:

  • Experiência fora do corpo, com sensação de pairar e vê-lo
  • Sensação de serenidade ou emoção profunda;
  • Visão de um túnel;
  • Visão de ir ao encontro de uma luz;
  • Encontro com entes queridos que já morreram ou desconhecidos;
  • Retrospectiva de acontecimentos da vida

Muitos relatam mudarem sua visão sobre a própria vida,  reformulando opiniões e fazendo mudanças necessárias caso seja oferecida uma segunda chance.

Os médicos acreditam serem alucinações que surgem em condições de estresse físico e neurológico, porém, espiritualistas tem outra visão, apontado casos como esses de provas e evidências da vida após a morte.

Em 1978, nos EUA, foi fundada a Associação Internacional de Estudos de Quase-Morte.

 

Relatos de experiências de quase-morte

 

“A pedagoga aposentada Lucy Lutf, de 66 anos, diz ter passado por experiências de quase-morte. Na verdade, ela relata que isso ocorreu duas vezes. A primeira, durante um acidente, em 1972, quando Lucy foi empurrada por uma onda para cima de algumas pedras à beira do mar, no Guarujá, litoral paulista.

Lucy recorda-se de que, enquanto lutava contra a morte, sentiu que o corpo se desligava. ‘Deslizei por um túnel, a princípio acinzentado, que depois foi clareando’, afirma. ‘A minha consciência deslizava por esse túnel e eu revivia toda a minha vida, com os acertos e os enganos. Quase no fim do túnel, antevi o outro lado, o que me deu uma sensação incrível de tranquilidade e de paz.’ Lucy conta que viu seu corpo sendo salvo por outras pessoas que estavam no local e mais tarde lembra-se de ter sido levada para um pronto-socorro pois havia ingerido muita água.

A segunda experiência ocorreu nos anos 80. Lucy diz que resolveu fazer uma cirurgia plástica e, apesar de ter passado por todas as providências pré-operatórias, sofreu um choque anafilático e uma parada cardíaca durante a operação. ‘Novamente a minha consciência deslocou-se do meu corpo físico e colocou-se acima, em observação, junto ao teto do centro cirúrgico’, conta.

Ela também diz lembrar-se que acompanhava tudo e sentia a preocupação dos médicos tentando fazer com que ela retornasse à consciência. Diz que ouviu o cirurgião plástico comentar que ela estava morta e por isso tentava tranquilizá-lo. ‘Depois de ser medicada e de ser feita a massagem cardíaca, retornei’, diz. ‘Contei ao médico o que ocorreu, mas ele não acreditou.’”

Relato na edição de fev./2007 da Revista Galileu

 

Há diversos casos como o relatado por Lucy, em cirurgias nas quais o paciente fica com a vida “por um fio” ou no qual é dado como morto por alguns instantes. Ao recobrar a consciência, a pessoa descreve em detalhes o que aconteceu durante o procedimento cirúrgico nesse momento de quase-morte ou, ainda, conta detalhes de situações que viu no “outro mundo”, ou seja, no plano espiritual.

A revista Galileu (2007) divulgou uma reportagem sobre experiências de quase-morte, com variados relatos feitos por pessoas “reanimadas”. Os médicos, acostumados a lidar com a morte, fazem uma reflexão sobre o que pode acontecer depois que a consciência abandona o corpo.

Intrigados com esses casos, nas conversas nos corredores dos hospitais, cirurgiões e anestesistas relatam histórias de pacientes que se lembram do que sentiram e viram nos minutos em que pararam de respirar e o cérebro não estava mais recebendo oxigênio.

Segundo dados da revista, o cardiologista holandês, Pim van Lommel, resolveu dar a essas conversas de corredor um tratamento científico. Compilou entrevistas com pacientes que “passaram para o lado de lá” e voltaram, e publicou a experiência na respeitada revista médica inglesa The Lancet, causando controvérsias no mundo todo. As conclusões a que chegou são consideradas no mínimo impressionantes.

O cardiologista entrevistou 344 pacientes de dez hospitais da Holanda que tinham sido considerados clinicamente mortos – condição estabelecida a partir de um eletrocardiograma. Para os médicos, uma pessoa é considerada clinicamente morta quando o cérebro não recebe suprimento suficiente de sangue, como resultado de falta de circulação, oxigenação ou de ambos. Nesses casos, se não forem realizadas tentativas de ressuscitação em um prazo de cinco a dez minutos, os danos cerebrais tornam-se irreparáveis e não há como sobreviver. Dos pacientes entrevistados, 62, ou 18%, disseram ter passado por uma experiência que os estudiosos chamam de quase-morte. Os outros 282 não lembravam de coisa alguma do período em que estiveram inconscientes.

O professor da Unifesp Cícero Galli Coimbra, por exemplo, afirma que o fenômeno das visões de quase-morte não pode ser explicado pelos conhecimentos atuais de neurofisiologia. ‘Se o resultado do eletroencefalograma for nulo, teoricamente não há neurônios se comunicando, disse Coimbra. ‘O fenômeno sugere que existe alguma espécie de estrutura de natureza desconhecida da física. Talvez o cérebro tenha uma forma de projetar a consciência. Isso pode ser o que se chama de alma ou espírito.’

Um dos casos estudos por Pim van Lommel é de um homem de 44 anos. Ele deu entrada em um plantão cianótico (cor roxa da pele e mucosas provocada pela falta de oxigênio no sangue) e em coma. Durante o procedimento para a intubação, a enfermeira percebeu que o homem usava dentaduras e teve que retirá-las e guardá-las em um “carrinho de parada” (que contém os medicamentos e equipamentos usados durante esse tipo de atendimento) para realizar o procedimento corretamente. Cerca de uma semana de internação na UTI, o homem recobrou a consciência. Quando a enfermeira estava aplicando a medicação diária, o paciente (já totalmente consciente), disse: “Ah, esta enfermeira sabe onde estão minhas dentaduras”. A enfermeira, surpresa, parou o que estava fazendo e prestou atenção, enquanto o homem continuou. “Sim, você estava lá quando me trouxeram para o hospital e foi você quem tirou minha dentadura e colocou naquele carrinho com todos aqueles frascos e gavetas, e a guardou numa das gavetas da parte de baixo”. A enfermeira ficou extremamente impressionada pois durante o procedimento o paciente estava em coma profundo sem nenhuma consciência.

Dr. Moody Jr. também pesquisou casos de experiências de quase-morte. A princípio por coincidências os casos vieram parar em sua mão. Em 1965, ainda como estudante, um professor de psiquiatria relatou ter estado praticamente morto duas vezes no intervalo de dez minutos, e relatou acontecimentos nesse período. Anos mais tarde, já dando aula, um aluno lhe relatou situação similar vivenciado por sua avó durante uma cirurgia.

Assim, Dr. Moody começa uma vasta pesquisa bastante minuciosa. Cerca de 150 casos parecidos, mas não exatamente iguais, são estudados. Quase todos dizem sentir “paz e quietude”, ouvem lindas melodias, encontram parentes e amigos já falecidos, ouvem e veem tudo o que se passa à volta do corpo, até mesmo os cuidados médicos. O que conclui, está condensado no livro Vida depois da Vida.

 

A morte segundo o espiritismo

 

Allan Kardec no livro O Céu e o Inferno, capítulo 2, apresenta: Apreensão diante da Morte.

“A apreensão da morte é um efeito da sabedoria da Providência, e uma consequência do instinto de conservação comum a todos os seres vivos. Ela é necessária enquanto o homem não estiver suficientemente esclarecido sobre as condições da vida futura, como contrapeso ao impulso que, sem esse freio, o levaria a deixar prematuramente a vida terrestre, e a negligenciar o trabalho aqui embaixo que deve servir para seu próprio avanço. (…) À medida que o homem compreende melhor a vida futura, a apreensão da morte diminui; mas ao mesmo tempo, compreendendo melhor sua missão na terra, ele aguarda seu fim com mais calma, resignação e sem temor.”

O espiritismo nos conforma com a certeza da continuidade da vida, enquanto que a ciência acredita no fim de tudo. Em ambos os casos o desconhecimento sobre o futuro é que nos assusta.

A morte é do corpo físico, que representa uma passagem para a vida espiritual. A ciência busca provas, e alguns estudiosos se empenham nos estudos de fenômenos que chamam de paranormais. Muitos estão convencidos da continuidade da vida, a única explicação racional para acontecimentos como os relatados nas experiências de quase-morte. E a ciência pode estar a um passo de provar a existência do espírito.

 

O relato de uma criança

 

Colton Burpo tinha 4 anos em 2003 quando precisou passar por uma cirurgia devido a uma apendicite aguda. Ele passou por uma experiência de quase-morte que se tornou conhecida mundialmente com o livro O céu é de verdade escrito pelos seus pais Todd Burpo e Lynn Vincent que, mais tarde, foi adaptado para o cinema.

Na experiência, o garoto relata ter deixado o seu corpo durante a cirurgia e ter ido ao paraíso. Lá, ele encontrou alguns parentes já falecidos, como seu avô. Também relatou com detalhes o que seus pais estavam fazendo em outra parte do hospital.

Meses depois, ao passar pelo hospital onde foi operado, a mãe do garoto perguntou se ele se lembrava do local. Ele disse: “Sim, mamãe, me lembro. Ali eu fiquei encantado com os anjos”. E, acrescentou: “Jesus pediu que eles cantassem porque eu tinha muito medo. E logo fiquei melhor”.

 O pediatra Melvin Morse, diretor de um grupo de pesquisa sobre as experiências de quase-morte da Universidade de Washington, afirma: “As experiências de quase-morte das crianças são sinceras e puras, não são contaminadas por nenhum elemento de caráter cultural ou religioso. Elas não separam as experiências, como o fazem os adultos, nem têm dificuldades de enfrentar as implicações espirituais da visão de Deus”.

 

Mais alguns casos de experiências de quase-morte

 

A professora Rita Isabel Rohr relatou ter visto uma luz em sua experiência de quase-morte, que aconteceu durante o parto da sua filha. Atravessando o famoso túnel relatado por muitos que vivenciaram essa experiência, ela disse ter estado em um lugar muito bonito e diferente da Terra, onde ninguém era infeliz. Mas Rita não pôde ficar nesse lugar. Uma voz ordenou que ela deveria retornar porque ela tinha filhos para cuidar — e foi assim que ela foi “sugada” de volta para o seu corpo.


Em um dia de 2008, o Dr. Eben Alexander acordou com uma atípica dor de cabeça. Não suportando a dor, foi levado ao hospital. Chegando lá, foi diagnosticado com meningite bacteriana, uma rara doença que costuma atingir apenas recém-nascidos.

Sua chance de sobrevivência era muito baixa. No entanto, apenas uma semana depois, quando os médicos já debatiam se continuavam ou não o tratamento, ele saiu do coma, totalmente consciente e com uma certeza absoluta: ele havia conhecido o céu. Ele era totalmente cético, e essa experiência o intrigava. Ele se via acima de nuvens rosadas que contrastavam com um céu azul escuro. Acima dele, seres transparentes (nem anjos, nem pássaros, uma forma superior, segundo ele) cruzavam o céu. Ele escreveu um livro sobre seu caso.


Em 1998, o medalhista olímpico brasileiro Lars Grael velejava em Vitória/ES quando foi atropelado por uma lancha. No acidente, perdeu uma perna e muito sangue. Seu coração parou de bater, e Lars teve uma experiência de quase-morte. “É uma coisa muito difícil de descrever. Nem imaginava que isso pudesse acontecer. Tive uma morte momentânea e me senti mais leve, com menos dor. Senti muita paz. Também me vi levantando do meu corpo. Voltei à vida, mas tive uma segunda parada e de novo me senti saindo do meu corpo. Era uma sensação menos nítida, acho que estava partindo mesmo. Foi coisa de segundos. Mas parece que o tempo ficou parado. Hoje vejo a vida por uma outra ótica. Meus valores mudaram e aprecio as coisas mais simples – um gole de água, um beijo de cada um da minha família. Tudo, tudo mudou”.

 

Vamos dar valor à nossa vida e nossa família antes de desencarnarmos ou precisarmos ter uma experiência como essa para pensar em tudo que nos é importante e valioso.

Por Talita Rebequi

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