Ecologia à Luz do Espiritismo

 “A Terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se. Se o que ela produz não lhe basta a todas as necessidades, é que ele a emprega no supérfluo o que poderia ser empregado no necessário”.

O Livro dos Espíritos, capítulo V, Lei de Conservação.

A partir de pouco mais da metade do ano, a Terra já entra no “vermelho” no uso de recursos naturais, ou seja, a humanidade usa mais do que a Terra consegue repor.

A ecologia e o espiritismo

Ao nos depararmos com o tema Ecologia e Espiritismo, é muito provável que, em um primeiro momento, muitos de nós nos perguntemos o que um teria a ver com o outro. De fato, logo de cara, eles não aparentam serem assuntos correlatos. Mas, analisando a origem de ambos, vemos que, assim como Haeckel, cientista alemão que primeiro usou o termo Ecologia e a definiu como “o estudo da casa ou do lugar onde vivemos”, seu contemporâneo Allan Kardec, o codificador do espiritismo, nos trouxe respostas, através dos espíritos, sobre as relações entre os seres vivos e o ambiente em que vivem e o quanto um depende do outro. A partir daí, está dada a resposta: a Ecologia anda, sim, de braços dados com a Doutrina de Kardec.

O plano espiritual busca alertar os homens sobre a necessidade de se conservar a natureza, por ser importante à evolução da Terra.

O Livro dos Espíritos na questão 703 nos diz:
 “Com que objetivo Deus deu a todos os seres vivos o instinto de conservação?”
“Porque todos devem cumprir os desígnios (planos) da Providência; é por isso que Deus deu o instinto de conservação.  Além disso, a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres que tem instintivamente esse sentimento, sem se darem conta disso”.

Analisando a resposta dada pelos espíritos a Kardec, notamos que o plano espiritual tem tentado nos esclarecer sobre a importância da evolução dos seres que habitam nosso planeta. Dentro desta temática, podemos considerar de grande importância uma atual conscientização ecológica na humanidade e, por que não dizer, no meio espírita.

Consciência ecológica

Assim como a ecologia, o espiritismo nos mostra uma visão sistêmica, integrada.

Por exemplo, demonstra-se que nas diferentes moradas do Pai existe relação de interação constante entre os mundos. O capítulo III do Evangelho Segundo o Espiritismo nos diz que a casa do Pai é o Universo e há diferentes categorias de mundos habitados quanto ao grau de adiantamento ou inferioridade que estão em diferentes condições uns dos outros e uma conexão entre diferentes fenômenos presentes nesses mundos.

Desdobra-se um olhar que vai além e que explica a teia, como tudo está conectado. Sabemos que estamos inseridos num contexto. Que cada um de nós tem companhias nos planos da matéria e do espiritual.

E a partir dessas relações vai havendo uma série de experiências. Sentimo-nos mergulhados em algo maior e estamos misturados a outros.

Com todo o aprendizado que o espiritismo nos proporciona, cientes de nossos excessos numa sociedade que pensa no “ter por ter”, é primordial pensarmos no coletivo. O que um faz afeta o todo.

Estamos todos plugados, no universo não existe neutralidade: influenciamos o todo com nossas ações ou omissões.

E, assim, a produção e o consumo exagerados esbarram na Ecologia.

“O problema é que em uma sociedade de consumo, como a nossa, nenhum de nós se contenta apenas com o necessário”, afirma André Trigueiro.

Diante do cenário atual da Terra, onde há tanto desperdício, cada vez se faz necessária uma maior conscientização ecológica.

Podemos começar em nossas casas, também nas escolas, empresas, locais religiosos. Por menor que possa parecer a contribuição individual, se todos colaborarem o resultado será expressivo.

A matéria nos serve para o aprendizado, assim não devemos encará-la com apego, mas sim como uma passagem para aprendemos as lições necessárias para a evolução.

A natureza e a evolução da Terra

No livro O Consolador de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier, há um capítulo sobre a biologia, no qual o irmão espiritual nos esclarece:

  1. “Como devemos compreender a Natureza?”

“A Natureza é sempre o livro divino, onde a mão de Deus escreveu a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem evoluindo constantemente com o esforço e a dedicação de seus discípulos”.

  1. “As manifestações de vida dos vários reinos da Natureza, abrangendo o Homem, significam a expressão do Verbo Divino, em escala gradativa nos processos de aperfeiçoamento da Terra?”

“Sim, em todos os reinos da Natureza palpita a vibração de Deus, como o Verbo Divino da Criação Infinita; e, no quadro sem-fim do trabalho de experiência, todos os princípios, como todos os indivíduos, catalogam os seus valores e aquisições sagradas para a vida imortal.”

E mais adiante:

  1. “O meio-ambiente influi no Espírito?”

“O meio-ambiente em que a alma renasceu, muitas vezes constitui a prova expiatória; com poderosas influências sobre a personalidade, faz-se indispensável que o coração esclarecido coopere na sua transformação para o bem, melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona de influência”.

Assim, vemos que a consciência ecológica deve vir do respeito a qualquer forma de preservação da vida, do respeito de uma forma integral ao meio-ambiente e todos os seres vivos. O maior respeito também denota uma maior evolução do espírito.

Sabemos de todas as provações em um planeta de provas e expiações, no entanto, Deus é justo e deseja a todos seus filhos a felicidade, e nos concedeu um planeta belo, cheio de recursos naturais próprios para nossa vida e progresso. Se as leis de Deus já tivessem sido apreendidas, não estaríamos diante de tantos males.

Devemos lembrar que a Terra também passa por transformações, assim como os habitantes, ela também evolui. Naturalmente, paisagens mudaram, o clima mudou, as intempéries ficaram mais brandas. E esses acontecimentos também nos servem de expiações.

Além disso, servem de alerta para nos modificarmos e passarmos a preservar e não agredir o planeta. Muitas mudanças no planeta também são provocadas pelas ações do homem, que polui, desmata, caça.

Atualmente, sabemos que estamos na iminência de catástrofes ecológicas de consequências imprevisíveis caso o homem não desperte rápido de seu potencial destrutivo, em nome do progresso e do desenvolvimento.

Como ajudar na conscientização e preservação da natureza?

Para fechar esta pequena reflexão sobre o tema A Ecologia à Luz do Espiritismo, o que cada pessoa pode começar a fazer para ajudar a tornar este mundo menos poluído? Como não esbanjar ou, pelo menos, esbanjar pouco os recursos naturais?

Lembrando que nenhum esbanjamento é aceitável. Esbanjar remete ao uso irresponsável dos recursos. Meio-ambiente é sinônimo de cuidado, de consciência. Sejamos cuidadosos com a nossa casa.

Joanna de Ângelis no livro Após a tempestade afirma que a poluição que se vê no mundo tem origem dentro de nós:

“A poluição mental campeia livre, favorecendo o desbordar daquela de natureza moral, fator primordial para as outras que são visíveis e assustadoras”.

Algumas ações:

– abolir o uso do canudinho plástico descartável: ele não é o único excesso de plástico, certamente, mas você sabia que ele é largamente encontrado nas praias e oceanos? E mesmo se for para reciclagem partes não conseguem ser processadas devido ao seu tamanho e, então, de qualquer forma vão parar no lixo acumulando e prejudicando especialmente os animais marinhos.

– utilizar canecas ou garrafinhas em vez de copos plásticos: muitas empresas têm adotado este hábito, além de economizar monetariamente, evitam o consumo desenfreado de plástico.

– verificar nas embalagens dos produtos se são biodegradáveis: além de uma rápida decomposição, eles não geram resíduos poluentes que se acumulam na natureza.

– substituir esponjas por bucha vegetal: mais um problema associado à poluição do plástico pode ser facilmente resolvido se substituirmos esponjas de cozinha, ou de banho também, por buchas vegetais, naturais e totalmente biodegradáveis.

– reciclar: separe o lixo de sua casa, e incentive o mesmo em sua empresa. Além de optar por reduzir o consumo de papel, evitando impressões.

– economizar água e luz: desligue torneiras e chuveiros enquanto se ensaboa, não deixe aparelhos ligados à toa e lembre-se de apagar sempre a luz ao sair do ambiente.

Por Aparecida Fonseca

 

Inspirações à matéria:
Livro Espiritismo e Ecologia de André Trigueiro, ambientalista espírita.
O Livro dos Espíritos de Alan Kardec
Entrevista com André Trigueiro em: https://mundosustentavel.com.br/entrevistas/ecologia-e-espiritismo/

 

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