A espiritualidade e a saúde

A espiritualidade ou religiosidade é uma necessidade do ser humano. Segundo dados do Censo (2010), 99,7% dos brasileiros declaram acreditar em Deus. A grande maioria da população segue uma religião cristã (87%), e desses, a religião católica predomina (65%). Dados da Revista Veja de 2017.

Cerca de 62 mil pessoas se dizem espiritualistas e 14,6 milhões declaram não ter religião, segundo informações do jornal O Estado de S.Paulo de 2018.

 

Medicina e espiritualidade para o cuidado com a saúde

 

Trechos da matéria de Ludmila Honorato para O Estado de S.Paulo em 07/06/2018:

 

“Valores positivos ajudam a enfrentar o sofrimento e aumentam as possibilidades de cuidados, o que reduz custos da medicina tradicional. Atitudes, ligadas ou não à religião, moldam a forma como as pessoas encaram um problema de saúde.

“Conhecimentos e práticas ancestrais, geralmente vistos como subjetivos, ganham cada vez mais respaldo da ciência e da medicina para seus resultados. Estudos já comprovam que a espiritualidade – não necessariamente ligada a uma religião –, por exemplo, tem efeitos positivos sobre quem passa por algum sofrimento, seja físico, emocional ou mental.

“Embora os mecanismos de como os valores espirituais agem no organismo ainda sejam desconhecidos, profissionais da saúde já perceberam que a abordagem é válida. A Organização Mundial da Saúde (OMS), inclusive, reconheceu oficialmente e inseriu a espiritualidade em seu conceito de saúde.

“No âmbito da pesquisa, os especialistas são rápidos em esclarecer que não se trabalha com religião. ‘Isso envolve dogmas, crenças, e religiosidade é quando a pessoa tem uma religião e incorpora isso dentro da vida dela. Espiritualidade é um guarda-chuva mais amplo, que agrega quem tem ou não uma crença, e são as emoções, sentimentos que norteiam nossa vida de relacionamento, conosco e com os outros, em casa e no trabalho’, explica Álvaro Avezum, diretor de Promoção e Pesquisa da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

“Segundo ele, ´a literatura [científica] mostra escalas de questionários que avaliam gratidão, disposição ao perdão e apontam que indivíduos que têm mais gratidão dentro da vida de relacionamento têm menor ocorrência de doença cardiovascular. Indivíduos com disposição a perdoar também´.

“Já os sentimentos como raiva, ira, dificuldade em perdoar ou falta de gratidão têm uma ação contrária. ‘Você tem maior descarga de noradrenalina, de hormônios como cortisol [liberado em situação de estresse] e esses hormônios provocam uma reação inflamatória que altera a coagulação do sangue. [Se um coágulo se forma] dentro de uma artéria coronária, leva ao enfarte; se for no cérebro, leva ao acidente vascular cerebral (AVC)’, explica Avezum. Ele acrescenta que o excesso de adrenalina aumenta a pressão arterial e a frequência cardíaca, o que pode causar arritmia e morte súbita.

Em momento de raiva, o cortisol baixa a imunidade, propiciando o surgimento de condições que a pessoa já está predisposta a ter – o que pode variar de problemas no coração até gastrite, úlcera e desordens psicológicas. Embora seja normal ter esse tipo de sentimento, já que a raiva é uma emoção básica humana, é possível encará-la de forma positiva.

“A meditação é uma das técnicas utilizadas para acalmar a mente e diminuir os pensamentos negativos.

De acordo com estudos e revisões literárias científicas, a espiritualidade fornece recursos para que se aumente a frequência de emoções positivas e se reduza aquelas que vão conduzir a problemas maiores.

“Ao entender que sua vida está sob controle de algo ou alguém maior, fora de seu domínio, a pessoa tende a enfrentar o sofrimento de forma mais positiva. A certeza de um suporte ‘além’ faz com que a angústia diminua, e os sentimentos favoráveis tragam conforto.

Segundo Frederico Leão, coordenador do Programa Saúde, Espiritualidade e Religiosidade (ProSER) do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), a cultura brasileira é espiritualizada, e as pessoas costumam associar seu sofrimento com suas crenças.

“O cardiologista Álvaro Avezum levanta a hipótese de que seja possível ensinar as pessoas a terem boas atitudes a fim de prevenir doenças ou melhorar o tratamento.

Independente da vertente, a espiritualidade aumenta as possibilidades de tratamento para vários sofrimentos humanos.

“Conforme pontua a OMS, a pessoa deve ser encarada em sua plenitude: nos aspectos físico, mental, espiritual e social.”

 

Aspectos espirituais para a saúde

 

Jesus fala ao Pai: “Que todos sejam um. E assim todos reconhecerão quem são meus discípulos pela forma que se amam”.

Ele sabe que está pedindo a coisa pela qual o Pai mais anseia. Acreditamos que Deus criou a humanidade como sua própria família, para compartilhar com ela todo bem e seu amor. Entendendo que Deus é o pai de todos nós, pensamos: o maior sonho dos pais não é que os filhos se queiram bem, ajudando-se, vivendo unidos entre si? E a maior decepção não é vê-los divididos por causa de ciúmes ou de interesses econômicos, chegando ao ponto de não se falarem mais?

Deus sonha com a unidade. Por isso Jesus pede “peço-te, ó Pai, que todos sejam um”.

É justamente essa a obra de Jesus no planeta Terra: fazer de todos uma só família, um só povo, assim como Ele é com o Pai.

Precisamos primeiro acreditar em nós e nos cuidar sempre para buscar essa unidade.

Precisamos buscar nossa paz espiritual.

Precisamos buscar a espiritualidade no dia-a-dia.

 

Como a religiosidade afeta saúde?

 

Paz de espírito, suporte social, válvula de escape e relaxamento, orações, trazem um impacto positivo no funcionamento do corpo, o coração fica mais saudável, reduz a ansiedade. Também oferecer suporte social a alguém faz mais bem do que receber.

A religiosidade está associada na ajuda a redução da depressão e da taxa de suicídio.

É importante procurar o amor, a proteção de Deus, a ajuda e o conforto na literatura religiosa, além de buscar perdoar e ser perdoado, orar pelo bem-estar de outros, redefinir os fatores estressores como benefício.

Por outro lado, o fanatismo pode fazer mal. Negar o amor de Deus, ou delegar a Deus para resolver seus problemas. É preciso resolver problemas em colaboração com Deus, aceitando com resignação as lições que a vida nos coloca e considerando-as como aprendizados para nosso progresso.

A ira, a raiva, o stress, envenenam o corpo e são a porta para o desiquilíbrio emocional, espiritual e abrem as portam às doenças. E a religiosidade nos dá fé para respirar e recomeçar, ajudando a nos melhorar.

 

Planejar a vida espiritual

 

A vida espiritual também deve ser planejada. Não apenas nossas conquistas materiais como muitos pensam. Devemos pensar bem antes de tomarmos qualquer decisão. Assim, agimos pensando nas consequências que certamente virão, e isso faz com que controlemos mais nossos atos e emoções. Precisamos ter fé para seguir nosso planejamento espiritual e para termos saúde no dia-a-dia.

Para alcançarmos esse planejamento precisamos:

  • Exercitar nossa fé;
  • Traçar objetivos espirituais com os pés no chão e Deus no coração;
  • Ter coragem de seguir nosso compromisso;

O que te dá força para seguir em frente?

Negar conflitos espirituais adoece.

Precisamos focar no momento presente e enfrentar com fé e determinação o quem vem pela frente.

“Acredito na graça que tenho para viver o bem agora. O antes já foi, o depois ainda não veio, agora só existe o agora. Para o agora tenho a presença amorosa de Deus!”

 

Assim:

A rotina não é um problema;

O momento presente é tudo;

Só nele encontro Deus;

A dor do outro não me esmaga, pois não a apoio sozinho;

Dilemas do sistema de saúde não me tiram a paz

 

Cuide de sua saúde espiritual

 

Coletânea do Além, lição nº 56. Livro de Emmanuel e psicografia de Francisco Cândido Xavier.

“Queres o restabelecimento da saúde do corpo e isso é justo.

“Mas, atende ao que te lembra um amigo que já se vestiu de vários corpos e compreendeu, depois de longas lutas, a necessidade da saúde espiritual.

“A tarefa humana já representa, por si, uma oportunidade de reerguimento aos espíritos enfermos.

“Lembra-te, pois, de que tua alma está doente e precisa curar-se sob os cuidados de Jesus, o nosso Grande Médico.

“Nunca pensaste que o Evangelho é uma Receita Geral para a humanidade sofredora?

“É muito importante combater as moléstias do corpo; mas, ninguém conseguirá eliminar efeitos quando as causas permanecem.

“Usa os remédios humanos, porém, inclina-te para Jesus e renova-te, espiritualmente, nas lições de seu amor.

“Recorda que Lázaro, não obstante voltar do sepulcro, em sua carne, pela poderosa influência do Cristo, teve de entregar seu corpo ao túmulo, mais tarde. O Mestre chamava-o a novo ensejo de iluminação da alma imperecível, mas não ao absurdo privilégio da carne imutável.

“Não somos as células orgânicas que se agrupam, a nosso serviço, quando necessitamos da experiência terrestre.

“Somos espíritos imortais e esses microrganismos são naturalmente intoxicados, quando os viciamos ou aviltamos, em nossa condição de rebeldia ou de inferioridade.

“Os estados mórbidos são reflexos ou resultantes de nossas vibrações mais íntimas.

“Não trates as doenças com pavor e desequilíbrio das emoções.

“Cada uma tem sua linguagem silenciosa e se faz acompanhar de finalidades específicas.

“A hepatite, a indigestão, a gastralgia, o resfriado são ótimos avisos contra o abuso e a indiferença.

“Por que preferes bebidas excitantes, quando sabes que a água é a boa companheira, que lava os piores detritos humanos?

“Por que o excesso dos frios no verão e a demasia de calor nos tempos de inverno?

“Acaso ignoras que o equilíbrio é filho da sobriedade?

“O próprio irracional tem uma lição de simples impulso, satisfazendo-se com a sombra das árvores na secura do estio e com a benção do sol nas manhãs hibernais.

“Pela tua inconformação e indisciplina, desordenas o fígado, estragas os órgãos respiratórios, aborreces o estômago.

“Observamos, assim, que essas doenças-avisos se verificam por causas de ordem moral.

“Quando as advertências não prevalecem, surgem as úlceras, as congestões, as nefrites, os reumatismos, as obstruções, as enxaquecas.

“Por não se conformar o homem, com os Desígnios do Pai que criou as Leis da Natureza como regulamentos naturais para a sua casa terrestre, submete as células que o servem ao desregramento, velha causa de nossas ruínas.

“E que dizermos da sífilis e do alcoolismo procurados além do próprio abuso?

“Entretanto, no capítulo das enfermidades que buscam a criatura, necessitamos considerar que cada uma tem sua função justa e definida.

“As moléstias dificilmente curáveis, como a tuberculose, a lepra, a cegueira, a paralisia, a loucura, o câncer, são escoadouros das imperfeições.

“A epidemia é uma provação coletiva, sem que essa afirmativa, no entanto, dispense o homem do esforço para o saneamento e higiene de sua habitação.

“Há dores íntimas, ocultas ao público, que são aguilhões salvadores para a existência inteira.

“As enfermidades oriundas dos acidentes imprevistos são resgates justos.

“Os aleijões são parte integrante das tabelas expiatórias.

“A moléstia hereditária assinala a luta merecida.

“Vemos, portanto, que a doença, quando não seja a advertência das células queixosas do tirânico senhor que as domina, é a mensageira amiga convidando a meditações necessárias.

“Desejas a cura; é natural.

“Mas, precisas tratar-te a ti mesmo para que possas remediar ao teu corpo.

“Nos pensamentos ansiosos, recorre ao exemplo de Jesus. Não nos consta que o Mestre estivesse algum dia de cama; todavia, sabemos que ele esteve na cruz.

Obedece, pois, a Deus e não te rebeles contra os aguilhões.

“Socorre-te do médico do mundo ou de teu irmão do plano espiritual, mas, não exijas milagres, que esses benfeitores da terra e do céu não podem fazer.

“Só Deus te pode dar acréscimo de misericórdia, quando te esforçares por compreendê-lo.

“Não deixes de atender às necessidades de teus órgãos materiais que constituem a tua vestimenta no mundo; mas, lembra-te do problema fundamental que é a posse da saúde para a vida eterna.

“Cumpre teus deveres, repara como te alimentas, busca prever antes de remediar e, pelas muitas experiências dolorosas que já vivi no mundo terrestre, recorda comigo aquelas sábias palavras do Senhor ao paralítico de Jerusalém: ‘eis que já estás são, não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior’.”

 

Por Talita Rebequi

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