Depressão: aspectos físicos e espirituais

11,5 milhões de pessoas.

Número equivalente à população da cidade de São Paulo, mas esse número na verdade representa a quantidade de pessoas que tem depressão no Brasil (dados de 2018).

No mundo inteiro, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), são 322 milhões de pessoas que sofrem do transtorno, 4,4% da população da Terra, e ano a ano só aumentam os casos. Atualmente, a depressão é considerada o mal do século.

Esse número pode ser ainda maior, já que há um certo preconceito com relação às doenças da mente e, assim, muitos não procuram ajuda de especialistas com receio de serem taxados de loucos.

O Brasil é recordista de pessoas depressivas na América Latina e, infelizmente, também lidera na região o ranking dos transtornos de ansiedade, que inclui a síndrome do pânico, as fobias, o estresse pós-traumático e o TOC (transtorno obsessivo-compulsivo).

 

Mas, afinal de contas, o que é a depressão?

A depressão é considerada uma doença psiquiátrica crônica que gera uma tristeza profunda interminável e a perda do prazer pela vida. É associada ao desânimo, à desesperança, à amargura, à baixa autoestima.

Estudos mostram que ela causa também alterações fisiológicas, como perturbações no sono e no apetite, redução da imunidade e aumento de processos infamatórios. Acarreta a diminuição de neurotransmissores no cérebro, como a serotonina, relacionada à sensação de bem-estar.

A depressão não escolhe local, renda ou idade. Pode acometer homens e mulheres, e inclusive crianças. Mas atualmente verifica-se uma maior incidência em mulheres e na faixa etária de mais de 50 anos.

Alguns sintomas são:

  • medo em excesso ou fobia
  • tensão muscular
  • insônia
  • sentimento de culpa
  • receio de lugares fechados ou com grandes aglomerações
  • inquietações constantes
  • pensamentos obsessivos e pessimistas
  • comportamentos compulsivos
  • falta de interesse por atividades que antes davam satisfação

E na maioria das vezes, esses sintomas interferem na autonomia e na qualidade de vida.

Ter parte desses sintomas não significa ter depressão. É preciso o diagnóstico de um especialista. Até porque um ponto importante a considerar é distinguir uma tristeza passageira da depressão. Diante das adversidades da vida, momentos de tristeza ou de sofrimento ocorrem com qualquer pessoa, no entanto, quando esse sentimento não passa é que merece atenção. A pessoa com depressão não consegue reagir e achar uma saída sozinha. Nesses casos é necessário buscar ajuda.

 

O que leva à depressão?

No aspecto físico, o risco de adquirir esse estado mental é muito associado à pobreza, ao desemprego, ao falecimento de familiares e amigos, ao consumo de drogas e bebidas alcoólicas, ao término de relacionamentos, ao fracasso em alguma tarefa.

Os dias atribulados na rotina do mercado de trabalho também têm gerado aumento nos casos. Jornadas exaustivas, metas agressivas, cobranças, falta de reconhecimento e ambiente competitivo levam a grande pressão que é relacionada ao desenvolvimento de transtornos na saúde mental. Além da depressão, o esgotamento emocional, chamado de burnout.

Pessoas depressivas sentem falta de perspectiva na vida, e algum acontecimento negativo costuma ser o ponto de partida. Mas há casos em que a depressão aparece quando não há razão aparente, como o caso da depressão pós-parto, e também ocorre com profissionais de sucesso.

Michael Phelps, por exemplo, nadador americano com 28 medalhas olímpicas conquistadas, revelou sofrer com a depressão apesar de todo sucesso alcançado em sua carreira.

O aviador brasileiro Santos Dumont é outro exemplo. No seu caso, após anos de esforço para vencer o peso do ar e criar o avião, ele entra em um estado de profunda tristeza por ver sua invenção se transformar em arma de guerra.

Vivemos em uma sociedade focada no ter, e não no ser. Sem o amor ao próximo e a caridade como guias, as pessoas acabam se cobrando para terem mais que o outro e buscam por aspectos apenas materiais. Assim, mesmo atingindo o que queriam, sentem um vazio inexplicável. A verdadeira vida é a espiritual, assim, para nossa verdadeira paz interior, devemos buscar o equilíbrio espiritual.

Então podemos perceber que além de fatores externos a nós citados (como a perda de entes queridos, instabilidade econômica, problemas de saúde, a falta de comida no prato dos filhos), o estado depressivo pode vir da insatisfação pessoal. Podemos nos distanciar de nossa essência, de nosso compromisso com a caridade, por exemplo. Isso tudo nos abala muito e gera a sensação de vazio e tristeza, porta de entrada à depressão.

Nesse estado de negativismo, acabamos por baixar a nossa vibração, nossa energia, assim, nos desequilibramos e damos campo a irmãos que vibrem na mesma faixa. Ou seja, permitimos, inconscientemente, a aproximação de entidades necessitadas que são atraídas pelo mesmo padrão de pensamento nosso. E dessa maneira o negativismo, a tristeza, a irritação acabam sendo acentuados.

Essa aproximação ocorre pela sintonia, e muitas vezes esses irmãos espirituais como chamamos (já que perante a Deus todos somos irmãos) não sabem de sua condição de desencarnado e não desejam causar mal. Porém acabam tirando mais energia do encarnado.

Além de necessitadas, também pode haver a aproximação de entidades chamadas de zombeteiras, que são aquelas que sentem prazer no sofrimento do outro e instigam mais ainda inspirando pensamentos ruins ou ainda incitam a agressividade e as discussões.

Um terceiro grupo é o de entidades que buscam vingar-se de situações ocorridas no passado, em vidas anteriores. Se aproveitam da fragilidade momentânea da pessoa para perturbar e vê-la sofrer.

Se a pessoa não sair do estado mental, de tristeza e pensamentos ruins, ela continua atraindo essas entidades e afunda ainda mais na perturbação que sente. Grande parte dos pensamentos obsessivos do depressivo são por conta de entidades que inspiram ainda mais o negativo. Porém, deve-se atentar ao fato de que não se pode colocar a culpa da doença nas entidades espirituais, o baixo padrão vibratório da própria pessoa é que permitiu a aproximação.

Daí a necessidade de procurar além da ajuda médica terrena a ajuda espiritual.

A encarnação serve para aprendermos e nos redimirmos de erros passados. E todas as situações pelas quais passamos são lições, por mais pesadas que possam parecer. Deus nunca dá uma cruz maior do que podemos carregar. Ele nunca não desampara a ninguém, nunca. Confiemos sempre. Tudo há uma razão de ser.

“Os dissabores da vida são provas que servirão para o seu adiantamento, se as sofrer sem murmurar, porque sua recompensa será proporcional à coragem com que as houver suportado. Suas convicções dão-lhe, pois, uma resignação que o preserva do desespero e, por consequência, de uma causa incessante de loucura e de suicídio.”

O que é o Espiritismo?, capítulo I, segundo diálogo: loucura, suicídio e obsessão.

 

Tratamento da depressão: corpo e espírito

A doença pode persistir por anos. É importante haver o tratamento psicológico realizado por um profissional, com acompanhamento de medicamentos inclusive se necessário. Um estilo de vida saudável com a prática de exercícios físicos e uma dieta equilibrada também são recomendados, assim como desenvolver atividades que deem satisfação e alegria.

Paralelamente ao tratamento físico, é preciso atenção a questões espirituais.

O passe ajuda a reequilibrar os centros de força de nosso organismo, fornecendo uma sensação de paz e esperança.

Quando necessário, também é importante o atendimento espiritual, cujo objetivo é afastar irmãos necessitados que se aproximaram da pessoa influenciando com pensamentos negativos e com sua vibração.

Numa casa espírita o dirigente responsável indicará o melhor tratamento espiritual a cada caso.

Muito importante também é a oração. Jesus dizia “orai e vigiai”. Ore pedindo ajuda e vigie os pensamentos. Ore caso você tenha depressão, ou se conhece alguém que tenha inclua nas suas preces e vibre a ela amor e esperança.

A compreensão de familiares e colegas também é fundamental. Há ainda muitos julgamentos para as pessoas com a doença, que comumente ouvem “chega de frescura” ou “deixa de preguiça” o que leva ainda a um maior isolamento, já que ela se sente incompreendida.

 

O suicídio é associado à depressão

O depressivo tem dificuldades de enxergar um futuro feliz e de fazer planos, falta perspectiva. Dessa forma, para muitos a morte seria a solução para a tortura mental, angústia e sentimento de tristeza infinita que sentem, e em cerca de 15% dos casos o paciente atenta contra a própria vida.

No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde (de 2016), há 31 casos de suicídio por dia, sendo que atualmente a maior incidência é entre os homens. E esse número tende a aumentar, seguindo a tendência dos últimos anos.

A pessoa, envolta em pensamentos negativos, receber a influência de entidades que a instigam a cometer o suicídio. Sabemos, como cristão, que atentar contra a própria vida é contrário a lei de Deus. E o sofrimento do suicida após a morte é muito grande.

No Evangelho segundo o Espiritismo, item 17 do capítulo V Bem-aventurados os aflitos há “o suicídio e a loucura”:

“O espírita tem vários motivos contra a ideia do suicídio: a certeza de uma vida futura, em que, sabe-o ele, será tanto mais ditoso, quanto mais inditoso e resignado haja sido na Terra; a certeza de que, abreviando seus dias, chega, precisamente, a resultado oposto ao que esperava; que se liberta de um mal, para incorrer num mal pior, mais longo e mais terrível; que se engana, imaginando que, com o matar-se, vai mais depressa para o céu; que o suicídio é um obstáculo a que no outro mundo ele se reúna aos que foram objeto de suas afeições e aos quais esperava encontrar; donde a consequência de que o suicídio, só lhe trazendo decepções, é contrário aos seus próprios interesses.”

Assim, a religiosidade é grande aliada no tratamento. A confiança na continuação da vida e na justiça de Deus conforta e acalma o coração.

 

Auxílio a quem tem depressão ou pensamento suicida

Se você sente parte dos sintomas listados anteriormente, não sinta vergonha, não tema pedir ajuda. Seja forte, ninguém nasceu para sofrer, estamos nessa vida para aprender.

Mesmo que demore, não desanime do tratamento físico e do espiritual.

Quem conhece alguém nessa situação sofre junto. Por isso, apoie, dê valor ao sentimento dos outros. Cada um pensa e sente de uma forma, não diminua a importância do sentimento do outro. Lembremos que ninguém está livre de entrar em depressão. Incentive-a a procurar ajuda e acompanhe o tratamento, não a deixe desistir.

Os pensamentos e influências negativas ficam ainda mais fortes quando a pessoa está só.

Aprendemos no espiritismo que o estado da mente, dos pensamentos, é muito importante ao nosso equilíbrio e bem-estar. Para todos, é muito difícil não nos abatermos com situações muitas vezes simples do dia-a-dia, como trânsito intensa ou irritação por uma palavra a nós dirigida que acaba ferindo nosso orgulho.

Todas essas condições, por mais simples que possam parecer, causam desequilíbrio e podem abrir portas para a condição de tristeza. Então, é importante nos conscientizarmos para não nos abatermos e para mantermos o pensamento positivo, que atrai a companhia de espíritos bons a nos ajudar e proteger.

Procuremos seguir e vivenciar os ensinamentos de Jesus. Procuremos ler, ver e fazer o que seja leve ao espírito, o que nos dê satisfação interior. Orientação que tanto ouvimos de nossos irmãos espirituais de luz.

Por pior que a vida possa parecer, sempre há luz no fim do túnel. E, por fim, creiamos no futuro melhor e na ajuda da espiritualidade. FÉ.

Por Raquel Pereira

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