Brasil: coração do mundo, pátria do Evangelho

No século XIV Jesus Cristo, o governante da Terra, em uma de suas visitas periódicas ao planeta, verificou com tristeza como a sua lição havia sido esquecida. Viu cidades destruídas, guerras, epidemias e a ignorância dominando as consciências na busca da grandeza material. Então, pergunta a Helil, encarregado dos problemas sociológicos da Terra, o que podia ser feito para melhorar a humanidade.

Helil diz que a oeste, depois do mar, havia uma área rica de almas ingênuas e nativas, que nelas poderiam buscar instalar o pensamento cristão, baseado no amor. Para lá foram a contemplar essas terras. E Jesus decide:

“Para esta terra maravilhosa e bendita será transplantada a árvore do meu Evangelho de piedade e de amor. No seu solo dadivoso e fertilíssimo, todos os povos da Terra aprenderão a lei da fraternidade universal.”

Essa terra é o Brasil.

 

Qual a missão do Brasil como coração do mundo e pátria do Evangelho?

Em 1938 era publicado pela primeira vez o livro de autoria de Humberto de Campos com psicografia de Chico Xavier: Brasil – coração do mundo, pátria do Evangelho.

O tema central do livro são os vários acontecimentos da história do Brasil no plano material e também no espiritual que demonstram a missão como pátria do Evangelho confiada a essa nação.

“O Brasil não está somente destinado a suprir as necessidades materiais dos povos mais pobres do planeta, mas, também, a facultar ao mundo inteiro uma expressão consoladora de crença e de fé raciocinada e a ser o maior celeiro de claridades espirituais do orbe inteiro.”

Emmanuel na introdução do livro.

Outros países tiveram sua importância em determinadas épocas do mundo para que dessa forma houvesse o desenvolvimento da humanidade. Assim o é o Brasil na atualidade, com a missão de ser a pátria do Evangelho cuja semente Jesus plantou há dois mil anos em sua passagem terrena.

Brasil coração

Você já reparou que o mapa territorial do Brasil lembra o formato de um coração?

 

Ao coração geográfico do mundo foram designadas muitas almas sofredoras e necessitadas da mão consoladora do Alto desde o início do projeto da colonização do Brasil coordenado por Ismael, Jesus e tantas outras entidades de luz, plantando no país a semente do amor ao próximo e do acolhimento.

Além disso, o Brasil é a pátria do evangelho porque acolheu o Evangelho de Cristo sob a luz da doutrina espírita, cuja codificação realizou-se por Allan Kardec, e mais do que em qualquer outro local do mundo foi abraçada e disseminada. Atualmente os brasileiros é que estão exportando a doutrina para o mundo.

Missionários aqui encarnaram para fincar as raízes e divulgar a boa nova, como Bezerra de Menezes e Chico Xavier. Grandes oradores espíritas já divulgaram a doutrina no exterior, como: Divaldo Franco, Raul Teixeira, Francisco do Espírito Santo Neto, José Medrado, e o já desencarnado Reynaldo Leite.

Divaldo disse certa vez que depois de proferir palestras em mais de 52 países, na Ásia, na África, na Europa, nas Américas, nunca viu ninguém como o brasileiro; um povo que ama, um povo que crê, que sofre sem masoquismo, que compreendeu que a construção de uma nacionalidade há de ser feita pelo amor, ensinando ao mundo a fraternidade, cumprindo-se a tarefa a ele confiada pelo nosso mestre Jesus.

Brasileiros que emigraram para outras nações levam consigo a religião espírita. Há centros espíritas na Inglaterra, na Holanda, na Suécia, em Portugal, nos Estados Unidos. País esse último que conta, inclusive, com uma federação que funciona de forma semelhante à brasileira.

espiritismo no Brasil3,8 milhões de seguidores da doutrina de Allan Kardec fazem do Brasil a maior nação espírita do planeta (2018). Segundo dados do ano 2005, o Espiritismo possui cerca de 15 milhões de adeptos ao redor do mundo.

 

Com tantos problemas, como o Brasil pode ser a pátria do Evangelho?

Com tanta violência urbana, corrupção, tantas falcatruas, tantos levando vantagens, nos questionamos como pode o Brasil ser o coração do mundo?

Primeiramente, é preciso analisar que o Brasil faz parte do planeta Terra e também está sofrendo os efeitos da transição planetária, momento de mudanças no qual é dada a última chance de remissão a irmãos que insistem no mal; além disso, é um país novo que muito tem ainda a caminhar, assim como a humanidade que neste atual desenvolvimento ainda é muito falha.

Apesar disso, e além de algumas exceções, há solidariedade, há amor entre muitos de seus cidadãos. O Brasil tem mundo afora a imagem de hospitaleiro, feliz apesar de todos os problemas. E é um povo que sorri e acolhe, que na tragédia ou na luta do dia-a-dia se ajuda.

felicidadeÉ essa a lição que o Brasil já dá ao resto do mundo, a aprender a vibrar conosco, a sorrir conosco, a amar conosco. A nossa missão não é a de ser a mais rica nação do mundo, ou a perfeita – afinal, a felicidade plena não é deste mundo -, mas a de estender a mão da fraternidade.

A alma brasileira se manifesta pela alegria de seus habitantes.

Por toda sua história, o Brasil lentamente tem consolidado a condição de pátria do evangelho e coração do mundo. É necessário existir maturidade emocional e espiritual para manter essa importante missão, semeando o amor e a fraternidade através do conhecimento e da aplicação dos ensinamentos do Evangelho, missão que é guiada por Ismael e tantos obreiros do Mestre Jesus que se abnegam em ajudar na evolução desta terra.

A alma brasileira é ardente, porque traz a tradição generosa dos povos que aqui a desenvolveram e foram acolhidos, deixando sua marca de amor e solidariedade. E a linha do tempo a seguir explica muito essa trajetória.

 

Linha do tempo: história do Brasil como pátria do Evangelho

Assim que Jesus definiu as terras isoladas até então das Américas a missão de coração do mundo e pátria do Evangelho, o planejamento espiritual iniciou-se a guiar, sem interferir no livre-arbítrio, os passos da nação.

“Aproveitaremos o elemento simples de bondade, o coração fraternal dos habitantes destas terras novas, e, mais tarde, ordenarei a reencarnação de muitos Espíritos já purificados no sentimento da humildade e da mansidão, entre as raças oprimidas e sofredoras das regiões africanas, para formarmos o pedestal de solidariedade do povo fraterno que aqui florescerá, no futuro, a fim de exaltar o meu Evangelho, nos séculos gloriosos do porvir.”

Portugal foi escolhido como berço dessa missão por ter um povo muito religioso e à época ser a nação mais humilde da Europa, mais pobre e mais trabalhadora do Ocidente.

  • Era o ano de 1394 quando Helil, em missão, reencarna como o infante Dom Henrique de Sagres em Portugal. Navegador respeitável, se tornou a figura mais importante na época das descobertas de novas terras, propiciando nova energia às grandes navegações a desbravar os mares desconhecidos e, assim, desenvolvendo as descobertas dos portugueses.

 

  • Décadas depois, Pedro Álvares Cabral parte em direção às Índias, porém, o destino da frota acaba sendo outro. Influenciados pela espiritualidade, acabam se desviando da rota original e chegam às terras em 22 de abril de 1500 que hoje compõe o Brasil.
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Pintura simbolizando a chegada dos portugueses ao Brasil

 

  • Tempos depois do descobrimento, as riquezas do nosso país passam a ser cobiçadas por ingleses, franceses, espanhóis, holandeses. Corsários europeus partiram em direção ao Brasil e Portugal percebe que precisa defender a terra. A sede de poder e de riquezas sucumbe aos olhos dos homens, e Jesus contempla a imensa terra tomada pela loucura do homem europeu dominador, que vê na colônia a oportunidade de enriquecer.

 

  • Em 1554 é fundado o Colégio de São Paulo pelos jesuítas a fim de ensinar os índios os princípios do cristianismo.

 

  • Por décadas o Brasil sofre ameaças de outras nações. Em 1580 a cobiça espanhola estende as suas atenções para as colônias portuguesas, tentando assim dominar todas as terras conhecidas no lado ocidental. Em 1637 foram os holandeses, que também não conseguem.

 

  • Jesus olha as terras brasileiras e Helil novamente no plano espiritual trabalha para que Portugal conceda ajuda ao Brasil, para que o povo que nessa colônia esteja possa adquirir o seu caráter, os seus valores éticos para começar a desempenhar a tarefa histórica que lhe está destinada.

 

  • Mas a cobiça pela riqueza dos minérios e das terras férteis dá início à exploração desenfreada. No século XVI tem início a escravidão no Brasil. Portugal começou a trazer da África homens, mulheres, crianças. Chegavam em navios por Salvador e Recife.

 

  • Helil, preocupado com o destino da terra do Evangelho, é consolado por Jesus: “O homem da Europa está prejudicado por uma educação espiritual condenável e deficiente. Responderão pelos atos, até aprenderem que ‘amai o próximo como a vós mesmos’. Os que praticarem o nefando comércio sofrerão, igualmente, o mesmo martírio, nos dias do futuro, quando forem também vendidos e flagelados em identidade de circunstâncias.”

 

  • Para ser o coração do mundo era preciso abrir os braços aos sofredores. O Brasil era a terra de esperança aos necessitados que aqui sentiriam a renúncia a todos os bens materiais e uma consoladora pobreza para aprenderem o desapego à matéria. “Primeiramente, surgiram os índios, que eram os simples de coração; em segundo lugar, chegavam os sedentos da justiça divina (plantando a bandeira de paz e de perdão) e, mais tarde, viriam os escravos, como a expressão dos humildes e dos aflitos, para a formação da alma coletiva de um povo bem-aventurado por sua mansidão e fraternidade.”

 

  • Em 1769 o ex-imperador romano Júlio César reencarna na Córsega como Napoleão Bonaporte. Guerreiro, espalha seu poder pela Europa. A família real portuguesa foge para o Brasil, fazendo com que, assim, o Brasil se unificasse e dando os primeiros passos para a formação da nação brasileira.

 

  • Com apoio dos irmãos espirituais, “o minúsculo Portugal, através de três longos séculos, embora preocupado com as fabulosas riquezas das índias, pôde conservar, contra flamengos e ingleses, franceses e espanhóis, a unidade territorial de uma pátria com oito milhões e meio de quilômetros quadrados e com oito mil quilômetros de costa marítima. (…) O coração geográfico do orbe não se podia fracionar.”

 

  • Anos depois, D. João VI volta a Portugal, deixando seu filho D. Pedro I. José Bonifácio de Andrade e Silva veio com a tarefa de exercer grande influência para a independência, que acaba por ocorrer em 7 de setembro de 1822. E nesse momento, é que de fato a nação brasileira desenhará a sua própria história.

 

  • Solano Lopes, que queria aumentar o território paraguaio, é instigado pelos ingleses a atacar o Brasil. A Guerra do Paraguai dura 6 anos, o Brasil vence ao custo de milhares de vidas. A nova nação contrai um carma pelos maus causados, que quitaria muitos anos depois com a construção da hidrelétrica de Itaipú, cuja energia gerada por suas águas permitiu que as indústrias paraguaias tivessem energia elétrica e passassem a produzir.

 

  • Le_Livre_des_EspritsEm 1857 chega ao Brasil o Livro dos Espíritos, o primeiro da codificação da doutrina espírita de Allan Kardec. Como um farol elucidando as palavras de Jesus, é o primeiro passo para o alastramento dessa nova religião pelo Brasil. Em Salvador, Luis Teves de Menezes funda a primeira agremiação espírita com o nome de Grupo Familiar de Espiritismo, enraizando no Brasil a doutrina de Kardec e reforçando a missão de pátria do Evangelho.

 

  • A escravidão era um grande entrave à missão de uma nação como pátria do Evangelho. “Muitas vezes, os próprios Espíritos que escolhemos para determinados labores terrestres não resistem à sedução do dinheiro e da autoridade. Sentem-se traídos em suas próprias forças e se entregam, sem resistência, ao inimigo oculto que lhes envenena o coração.”

 

  • Até que em 13 de maio de 1888 a princesa Isabel assina a Lei Áurea, encerrando o ciclo de trezentos anos de escravidão.

 

  • Um ano e meio depois, em 15 de novembro de 1889 é proclamada a República. Os desafios prosseguem para o desenvolvimento e progresso de um país com um passado de lutas e de manchas, mas com um futuro promissor.

“A Pátria do Evangelho atinge agora a sua maioridade coletiva. Profundas transições assinalarão a sua existência social e política. Uma nação que alcança a sua maioridade é a responsável legítima e direta por todos os atos comuns que pratica, no concerto dos povos do planeta. Acompanharemos, indiretamente, o Brasil, onde as sementes do Evangelho foram jorradas a mancheias, a fim de que o seu povo, generoso e fraternal, possa inscrever mais tarde a sua gloriosa missão espiritual nas mais belas páginas da civilização, em o livro de ouro dos progressos do mundo.”

  • No início do século XX, fugidos de guerras e da miséria, o Brasil abre os braços para receber dessa vez com amor milhares de imigrantes que para cá vieram. Nessa terra, assumiram o país que os acolheu e ajudaram a formar um pouco mais do que nossa nação é hoje, um país de esperança em meio a tantas turbulências.

 

  • Nos anos 2010, dias atuais, nova onda de imigrantes chega ao Brasil com esperança. Venezuelanos, haitianos, refugiados, procuram em nossa terra a paz e dias melhores.

 

O Brasil é a miscigenação do ameríndio, do europeu, do negro, do árabe, do oriental. Aceita todos os povos de todas as nações e crenças. Vive aqui um povo generoso e afável, bem humorado e que ri de si mesmo. Recebe o estrangeiro sempre de braços abertos. Quantos estrangeiros para aqui vieram e jamais retornaram a seus países. Nas ruas, nos shoppings, nos restaurantes, vemos orientais, muçulmanos, judeus, católicos, protestantes, evangélicos, budistas, todos vivendo pacificamente. Além de uma terra fértil, abundante em águas e outros recursos naturais. Em que lugar do mundo há isso? É assim que se forma uma pátria do Evangelho, o coração do mundo. A mistura de todos.

Somos todos irmãos.

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Por Gilson e Raquel Pereira

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