Os desencarnes coletivos

Não raro, os jornais noticiam tristes fatos ocorridos em várias partes do mundo, como desastres naturais e acidentes de grandes proporções, que acabam por levar muitos a desencarnar coletivamente.

As mortes coletivas não são obra do acaso, e todos os espíritos envolvidos nesses acontecimentos tinham em sua existência na matéria a necessidade de assim perecer. O espiritismo nos ensina sobre a Lei de Causa e Efeito, a qual mostra que nada fica impune perante Deus: para o que causamos, sofremos as consequências. Assim sendo, antes de reencarnar, esses irmãos assumiram passar por essa expiação com o propósito de resgatar débitos, escolhendo o caminho da dor, algumas vezes sentindo na pele o mal que um dia causaram no passado.

Allan Kardec nos ensina no Livro dos Espíritos, pergunta 737:

“O objetivo dos desencarnes coletivos é fazer os homens avançarem mais depressa, e as calamidades são frequentemente necessárias para que se chegue a uma ordem melhor, realizando-se em alguns anos, o que necessitaria de muitos séculos.”

O espírito São Luis traz importante ensinamento ao afirmar que:

“Pessoas que desencarnam coletivamente são comprometidas com falhas cometidas no passado, e que feriram as Leis Divinas. Contudo, podem ser elas falhas cometidas em grupo, levando a providência Divina a encontrar um momento adequado para reunir todos aqueles que outrora juntos cometeram determinadas falhas.”

Então, por força do magnetismo, essas pessoas reúnem-se e passam pela prova.

 

Um exemplo de desencarne coletivo

Chico Xavier no livro Cartas e Crônicas, ditado pelo Irmão X, relata um caso que exemplifica a Lei de Causa e Efeito no qual o resgate ocorre por meio de um desencarne coletivo.

 

No ano de 177, os cristãos eram perseguidos e assassinados sem piedade. Na época reinava o

imperador Marco Aurélio. Certa noite na região da Gália, cerca de mil mulheres e crianças cristãs foram confinadas em uma arena cercada por farpas embebidas em óleo para serem queimadas aos olhos de centenas em uma macabra recepção em honra da chegada de Lúcio Galo, cabo de guerra que desfrutava atenção especial do Imperador.

Todos os envolvidos no planejamento e na execução desse tenebroso acontecimento ficaram endividados perante a Lei de Deus. Passaram-se quase dezoito séculos para que se reunissem novamente esses mesmos irmãos para a dolorosa expiação. No ano de 1961 na cidade de Niterói no Rio de Janeiro, um incêndio de grandes proporções ocorreu durante a apresentação de um circo, tirando tragicamente a vida de centenas pessoas que ali estavam reunidas.

 

“A justiça Divina, através da reencarnação, reuniu aqueles mesmos espíritos que foram responsáveis pela queima dos cristãos na arena e tiveram, assim, a sua dolorosa expiação”, esclarece-nos o ocorrido o irmão Humberto de Campos pela psicografia de Chico Xavier no livro Crônicas de Além Túmulo.

 

Justiça de Deus

Assim é a lei, certamente que Deus em sua infinita bondade dá a todos a oportunidade de redimir-se de seus erros. Uns conseguem resgatar débitos com ações voltadas para o bem, outros precisam, ou optam, por resgatar de uma forma dolorosa. Como mencionado anteriormente segundo a obra de Kardec, os desencarnes coletivos são formas de avançar espiritualmente de forma mais breve, quitando débitos que poderiam levar muitas mais encarnações.

O choque, a comoção que ocorre em acontecimentos assim são grandes, e ganham notoriedade no mundo inteiro. Cabe a nós nunca julgar, mas sim auxiliar da forma que pudermos nossos irmãos envolvidos nesses desencarnes e seus familiares, como ao fazer uma oração.

É sempre preciso lembrar de mais um ensinamento do mestre Jesus, quando dizia: “A cada um será dado de acordo com as suas obras”.

Por Gilson Pereira

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