O porquê da escravidão

No Livro dos Espíritos, questão 829, indaga Allan Kardec: Haverá homens que estejam, por natureza, destinados a ser propriedades de outros homens? Tendo como resposta: “É contrária à lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem. A escravidão é um abuso da força. Desaparece com o progresso, como gradativamente desaparecerão todos os abusos. É contrária à Natureza a lei humana que consagra a escravidão, pois que assemelha o homem ao irracional e o degrada física e moralmente”.

Na questão 831 questiona: A desigualdade natural das aptidões não coloca certas raças humanas sob a dependência das raças mais inteligentes? Cuja resposta é: “Sim, mas para que estas as elevem, não para embrutecê-las ainda mais pela escravização. Durante longo tempo, os homens consideram certas raças humanas como animais de trabalho, munidos de braços e mãos, e se julgaram com o direito de vender os dessas raças como bestas de carga. Consideram-se de sangue mais puro os que assim procedem. Insensatos! Nada vêem senão a matéria. Mais ou menos puro não é o sangue, porém o Espírito”.

Lei da ação e reação

Deus é a inteligência suprema a gerir todo o universo, causa primária de todas as coisas. Sendo Ele infinitamente justo e bom, sua lei tem de ser, também, justa e boa.

Caso o indivíduo cometa alguma ação ruim, que cause danos ao próximo ou a si próprio, o primeiro ponto a considerar é que não há como desfazer o ato após ter sido praticado, assim, essa ação gerará uma reação, cedo ou tarde. Basicamente, o que esta lei dita é que a causa é a ação-origem, e o efeito é sua consequência direta. Por vezes, a reação é igual à ação, mas como a lei divina é justa, tudo depende da forma, do arrependimento e do bem praticado.

A escravidão no Brasil segundo o espiritismo

A escravidão no país começou pouco tempo após o descobrimento destas terras pelos portugueses.

No livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho de Humberto de Campos, psicografado por Francisco Cândido Xavier há o seguinte trecho a seguir transcrito:

Disse Jesus ao protetor espiritual do Brasil: “Ismael, asserena teu mundo íntimo no cumprimento dos sagrados deveres que te foram confiados. Bem sabes que os homens têm a sua responsabilidade pessoal nos feitos que realizam em suas existências isoladas e coletivas. Mas, se não podemos tolher-lhes aí a liberdade, também não podemos esquecer que existe o instituto imortal da justiça divina, onde cada qual receberá de conformidade com os seus atos.”

Os povos africanos que foram escravizados nas terras brasileiras passaram por tal provação triste e condenável por consequência a atos praticados no passado, cujo objetivo foi o aprendizado como forma de reformar-se. Porém, os malfeitores decerto também sofrem as consequências dos atos praticados, mesmo que serviram de instrumento à expiação de outrem. O autor espiritual dessa obra, Humberto de Campos, menciona provações que se abateram sobre o povo português que desse modo expiavam a dor imposta aos escravos. E até mesmo o povo brasileiro sofre com as consequências desses atos.

No livro Memórias de um Suicida, cujo autor espiritual é o célebre romancista português Camilo Castelo Branco, e de psicografia de Yvonne Pereira, encontra-se alguma explicação do porquê de tamanho sofrimento vivido: “Sabei que entre os escravos que, sob os céus do Cruzeiro Sublime [Brasil] choraram (…), nem todos traziam característicos íntimos de inferioridade, nem todos apresentavam caracteres primitivos! Grandes falanges de romanos ilustres, do império dos Césares; de patrícios orgulhosos, de guerreiros altivos, autoridades das hostes de Diocleciano, como de Adriano e Maxêncio, dolorosamente arrependidas das monstruosas arbitrariedades cometidas em nome da força e do poder (…) pediram reencarnações na África infeliz e desolada, a fim de testemunhares novos propósitos ao contato com expiações decisivas”.

Papel dos espíritas na abolição da escravatura

É oportuno lembrar que o nascente movimento espírita brasileiro, através de suas instituições e representantes como Bezerra de Menezes e Bittencourt Sampaio, contribuiu para o abolicionismo.

No Reformador, o mais antigo periódico da imprensa espírita brasileira, conclamava os espíritas a apoiar o movimento. Em 15 de julho de 1887, o compromisso era reforçado: “A nós espíritas que respeitamos o Cristo como o nosso Mestre, o nosso Modelo e o nosso Chefe cabe o posto de avançada nesta cruzada bendita de liberdade”.

Em 13 de maio de 1885 a pergunta soava como convocação: “Podemos, pois, nós que trabalhamos por ser espíritas, esquivar-nos a auxiliar aqueles que se afanam na grande obra de redenção dos cativos?”. E, na mesma publicação, soava o aviso aos senhores de engenho que possuíam escravos: “Se conheceis a verdade da multiplicidade das existências humanas, sabereis também que o senhor de hoje é o escravo de amanhã, como este já foi o dominador da véspera”.

Relatos de escravos no além-túmulo

O Escravo Bernardino, livro psicografado por Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho, relata a história real de um garoto levado à força da África para ser escravo no Brasil. Após muito sofrer de fazenda em fazenda, é comprado pelas terras de Dona Ambrosina. Lá não há torturas ou sofrimentos impostos. Ao desencarnar descobre a razão de tanto sofrimento, ele recorda que em outra encarnação foi um indiano poderoso que hipnotizava servos e estudava as artes da magia, não tratava bem funcionários e nem filhos. Por ter usado seus conhecimentos e poderes de forma egoísta, optou por reencarnar com os aprendizados adormecidos e entre seres mais primitivos, para que pela dor pudesse buscar o aprimoramento.

Outro livro psicografado por Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho com o relato real de um escravo quando encarnado é O escravo: da África para a senzala. Uba vivia tranquilamente com sua esposa e filhas em uma aldeia na África. Certo dia, foi levado junto com outros homens jovens e fortes para se tornar escravo no Brasil. Foi no cativeiro que seu espírito aprendeu muitas coisas e onde mudou sua relação com o trabalho, percebendo que o faz sentir-se útil.

Por Vinícius Pereira


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