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Os animais no plano espiritual

Assunto que desperta muito interesse e curiosidade, a vida dos animais após a morte é um tema ainda pouco explorado e com literatura escassa que possa esclarecer, de fato, como é o processo desde a criação dos espíritos até sua evolução nos dois mundos, material e espiritual. Para este tema, assim como em variadas passagens dos livros da codificação, há a informação de que no nosso grau de evolução ainda não podemos compreender em sua totalidade os segredos de Deus.

Sabe-se por meio de relatos em livros, e também vidências nas sessões espíritas, que há nas colônias, e até no Umbral, a presença de animais.

Em A Alma dos Animais, Ernesto Bozanno, pesquisador espírita italiano falecido em 1943, escreve que há cães, gatos, cavalos, aves, coelhos e outros animais que nem conhecemos por aqui, convivendo com humanos nas colônias espirituais, ajudando em atividades.

labrador

André Luis, em Nosso Lar, narra que os cães são grandes auxiliares nas regiões escuras do Umbral, facilitando o trabalho; as mulas carregam as cargas e fornecem calor quando necessário; e as aves são ótimos auxiliares dos Samaritanos, porque devoram as formas mentais pesadas, lutando abertamente com as trevas.

Os animais têm espírito?

Segundo o Livro dos Espíritos, os animais têm uma alma que sobrevive à matéria. Porém, esse espírito é inferior ao do homem. Eles têm uma inteligência rudimentar e o que prevalece é o instinto, apenas concentrado na vida material, fazendo-os agir sem raciocinar. Eles têm uma certa liberdade de ação, agem conforme a circunstância, mas essa liberdade não pode ser caracterizada como o livre-arbítrio que conhecemos.

Ao desencarnarem, os animais conservam a sua individualidade mas não têm consciência do seu eu. Logo reencarnam, auxiliados por entidades humanas a essa tarefa incumbidos. Nesse meio tempo eles ficam em um tipo de erraticidade, mas não há espíritos de animais errantes no plano espiritual assim como há o de humanos.

Heurípedes Kuhl, pesquisador espírita que psicografou vários livros inclusive publicados pela FEB, em seu livro Animais Nossos Irmãos complementa informando que eles são mantidos em grupos específicos a cada raça, e a reencarnação já é quase sequencial à morte. No entanto, alguns animais podem demorar a reencarnar, isso se deve à decisão dos espíritos a eles incumbidos, que mantêm alguns no mundo espiritual, em tarefas de auxílio.

Acredita-se que animais menos evoluídos, como anfíbios e insetos, possuem uma alma-grupal, e com o evoluir das espécies a alma vai se individualizando (como a que existe nos mamíferos).

Evolução dos animais

Assim como os seres humanos, a encarnação dos animais tem como finalidade a evolução. No entanto, sendo eles espíritos limitados, não têm os deverem de progresso que o homem tem. Os animais também progridem e evoluem, só que diferente de nós, não pela força de vontade e pelas escolhas, mas apenas pela força das coisas e para eles, assim, não há expiação.

Sendo assim, surge a questão: por que, então, eles sofrem com doenças, maus-tratos, mortes trágicas, se não há débitos a resgatar?

Algumas especulações sobre esta questão podem ser verificadas na obra de irmãos dedicados à pesquisa espírita, eles nos mostram que as doenças e outras situações tristes pelas quais passam os animais se devem a uma depuração, que auxilia na sua evolução.

Euripedes Kuhl, no livro Animais Nossos Irmãos escreve: “Nos animais a dor age como impulso evolutivo. Quando feridos, o próprio animal lambe o machucado do outro numa rudimentar ação de busca da cura ou alívio – o que representa os primórdios da fraternidade. Quando morrem em acidentes há a aquisição de experiências e aprendizados marcantes, relativos a dor, que impregnam o ser para a eternidade. Quando abatidos ou machucados pelo homem, de forma intencional ou não, o seu sacrifício promove ou resulta no bem.” Aqui podemos incluir os animais que servem de cobaias e acabam auxiliando a humanidade, e terão, assim, as recompensas. O autor também coloca que alguns, pelo sofrimento, estariam depurando males também causados à humanidade, como doenças a que nos expõe.

O convívio dos homens e animais é importante para ambos. Os animais auxiliam na nossa evolução e nós também auxiliamos na evolução deles. Acaba havendo uma troca.

No Livro dos Médiuns há que “Deus colocou os animais ao nosso lado como auxiliares”. E por outro lado, nós os auxiliamos em sua evolução, como no caso de animais domésticos, que “nós ao dispensar proteção, respeito e amor para com os animais, isso reduz ou mesmo elimina suas naturais reações selvagens ou instintos agressivos”, segundo Euripedes Kuhl. Eles acabam desenvolvendo uma certa consciência de seus atos, mesmo que seja por meio do condicionamento.

Os animais domésticos tendem a ser leais aos humanos, eles percebem quando seus donos estão tristes e procuram ajudar. Quantas alegrias levam às pessoas com sua companhia, atualmente muitos são aceitos em asilos e hospitais pelo grande impacto positivo que sua presença causa.

Por que as espécies são extintas?

extintosVoltando aos primórdios do planeta Terra, em A Gênese consta quantas espécies aqui habitaram antes do homem chegar ao planeta. Primeiro havia animais aquáticos ou anfíbios, com a formação dos continentes apareceram os animais terrestres, répteis monstruosos, gigantescos mamíferos, posteriormente surgiram os pássaros. Algumas espécies sobreviveram aos cataclismos, outras desapareceram. Com o tempo, a Terra foi evoluindo e passou a ser povoada por animais menos ferozes e mais sociáveis; até que, então, o novo hóspede surgiu: o homem.

Todas as espécies têm a razão de ser, a sua utilidade. Deus não as criou por simples capricho da sua vontade, para dar a si mesmo, em seguida, o prazer de aniquilá-las. Emmanuel, em O Consolador esclarece que “atualmente, quando se mencionam ‘espécies em extinção’, afloram as várias atividades humanas que as provocaram, ou estão provocando, mas, além dessas razões, existe outra, de ordem natural: a migração planetária! De forma natural ou provocada, desapareceram da Terra, e renasceram em outros mundos mais inferiores em relação à Terra.”

Teoria da metempsicose

No Livro dos Espíritos há que “a metempsicose é falsa no sentido de transmigração direta do animal no homem e vice-versa.” Metempsicose é a reencarnação ora em corpo de animal ora em corpo de humano. Algumas religiões antigas acreditavam nisso e, por isso, cultuavam os animais, como no Egito, na Índia e na Grécia.

Usando a lógica, é possível presumir que essa variação entre encarnações ora como animais ora como humanos geraria uma involução para o espírito humano, já que os animais são atrasados em relação aos homens. Resposta clara e unânime entre autores diversos.

Há, ainda, uma outra questão que gera duas opiniões entre autores da doutrina: se haveria ou não a migração por evolução de entidades do reino animal para o reino hominal.

As teorias são – e ambas são descritas no Livro dos Espíritos:

  1. o espírito é criado e passa pelos diferentes graus dos seres inferiores, como o reino animal, para só depois de sucessivas encarnações progredir para o período da humanidade.
  2. há uma criação separada para o espírito animal e o espírito humano de modo que eles evoluam paralelamente.

Para obter a resposta correta, teríamos de saber exatamente como ocorre o processo de criação dos espíritos. Nos livros da decodificação há a informação sobre a criação dos espíritos dos homens, mas não esclarece ao certo a dos animais. O que consta é: um princípio inteligente quando atinge o grau necessário para ser espírito, ele entra no período da humanidade.

Para os defensores da progressão, de animal para depois chegar ao reino hominal, esse sistema tem a vantagem de dar um objetivo ao futuro dos animais. As diferentes espécies de animais procederiam intelectualmente  umas das outras, mediante a progressão. Assim, o espírito da ostra se tornaria sucessivamente o do peixe, depois do pássaro, do quadrúpede até chegar ao humano.

Para os defensores da outra hipótese, há que: cada espécie constitui, física e moralmente, um tipo absoluto. Os dos mundos mais adiantados que a Terra constituem igualmente raças distintas, apropriadas às necessidades desses mundos e ao grau de adiantamento dos homens. Assim, desde a criação há a distinção entre a criação da alma humana e da alma animal, e cada uma evolui dentro da sua espécie.

Seguindo com o Livro dos Espíritos, há “nos mundos superiores, tudo é mais perfeito, plantas, animais e o homem. Mas as plantas sempre serão plantas, os animais sempre serão animais e os homens sempre serão homens.” “Nos mundos superiores, onde os homens são mais avançados, os animais o são também, tendo meios de comunicação mais desenvolvidos. Mas sempre serão inferiores e submissos ao homem, são para ele servidores inteligentes.”

Alimentação de origem animal na visão espírita

Allan Kardec, no Livro dos Espíritos obtém a resposta de que tudo aquilo de que o homem se possa alimentar, sem prejuízo para a sua saúde, é permitido, e que na constituição física atual, a carne nutre a carne, pois do contrário o homem perece. A lei de conservação impõe ao homem o dever de conservar as suas energias e a sua saúde, para poder cumprir a lei do trabalho. E, ainda, que a abstenção de alimento animal, como expiação, é meritória apenas se for séria, se for só na aparência será hipocrisia.

Emmanuel em O Consolador afirma que “a ingestão de carne dos animais é um erro de enormes consequências, do qual derivaram numerosos vícios da nutrição humana. (…) E que determinadas vitaminas podem ser encontrados nos produtos de origem vegetal, sem a necessidade dos matadouros e frigoríficos.”

Mas pondera informando que “temos de considerar a máquina econômica na qual tantos operários fabricam o seu pão cotidiano. Suas peças não podem ser destruídas de um dia para o outro. (…) Com o advento dos tempos novos, os homens terrestres poderão dispensar a alimentação animal” e o relacionamento com os animais será de respeito, educação e responsabilidade.

Com relação à alimentação de peixes, Heurípedes Kuhl diz que há controvérsias entre os próprios espíritas se os peixes devem ou não servir de alimento. “Jesus indicou a Simão o local exato do Lago Genesaré, onde havia um cardume, proporcionando-lhes pesca abundante (Lucas, 5: 1 a 7). Kardec explica em A Gênese (cap. XV, 9) que a Jesus sabia onde havia peixes e os que são favoráveis ao consumo de peixes afirmam que se tal fosse incorreto, ele não os incentivaria a pescar. Já os contrários argumentam que “não há registro de que Jesus tenha jamais se alimentado de peixes”.

Convívio homem x animal

O ser humano tem muitos alimentos de origem animal, extraem sua pele para desenvolver produtos, muitas vezes os maltratam, matam pela caça predatória com fins comerciais ou não, e os usa para experiências em tratamentos médicos ou para testes de produtos de beleza. Certo ou errado moralmente falando, o fato é que são necessários para auxílio em nossas tarefas, e infelizmente, muitas dessas ações ainda não conseguimos evitar pelo grau atual de evolução do planeta.

E toda essa resignação a eles é recompensada. Charlet, em artigo para a Revista Espírita de 1860 “Deus é justo e todas as suas criaturas estão sob suas leis, e estas dizem: ‘Todo ser fraco que tiver sofrido será recompensado.’ (…) e, por vezes, o animal tem mais alma, mais coração que o homem, em muitas circunstâncias.”

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Mas a Lei de Causa e Efeito está presente, e certamente os maus-tratos que o homem causa aos animais acabam por voltar-se contra ele. Hoje, além da consciência de preservação de muitas pessoas, há leis de proteção ao animal e à natureza.

À medida que a humanidade evoluir ética e moralmente, cada vez menos serão tolerados esse tipo de ocorrência, o convívio do homem e os animais será mais harmônico. Espécies mais dóceis habitarão o planeta. E o homem será mais amigo para com todos os animais, passando a tratá-los com mais consideração e respeito.

Por Raquel Pereira


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